O boletim epidemiológico de arboviroses 2026 representa um documento fundamental para compreender o cenário atual das doenças transmitidas por mosquitos no Brasil. Com dados atualizados e análises detalhadas, este material orienta profissionais de saúde, gestores públicos e pesquisadores nas ações de prevenção e controle.
Este artigo apresenta uma análise aprofundada do panorama epidemiológico das arboviroses em 2026, destacando tendências, desafios e as principais estratégias implementadas pelo sistema de saúde brasileiro.
O que é um boletim epidemiológico
Um boletim epidemiológico consiste em uma publicação técnico-científica que apresenta análises sistematizadas sobre a situação de saúde de uma população. No contexto das arboviroses, esses documentos consolidam informações provenientes de múltiplas fontes e oferecem uma visão abrangente do comportamento dessas doenças.
Os boletins são produzidos periodicamente pelo Ministério da Saúde e pelas secretarias estaduais e municipais de saúde. Sua função principal é subsidiar a tomada de decisão em diferentes níveis de gestão, desde a atenção primária até as esferas de planejamento estratégico.
A estrutura de um boletim epidemiológico geralmente inclui dados de incidência, prevalência, mortalidade, distribuição geográfica, características demográficas dos casos e análise de tendências temporais. Esses elementos permitem uma compreensão completa da dinâmica epidemiológica das doenças monitoradas.
Contexto epidemiológico das arboviroses em 2026
O ano de 2026 apresenta um cenário epidemiológico complexo para as arboviroses no Brasil. Após os recordes históricos observados em 2024, o país enfrenta desafios persistentes relacionados à circulação simultânea de dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
As mudanças climáticas continuam exercendo influência significativa sobre a distribuição temporal e espacial dos vetores. O aumento da temperatura média global, combinado com padrões de precipitação mais irregulares, tem criado condições favoráveis para a proliferação do Aedes aegypti em regiões anteriormente consideradas pouco propícias.
A urbanização acelerada, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, tem expandido o território de circulação das arboviroses. Municípios que historicamente registravam baixa incidência agora enfrentam surtos significativos, demandando adaptação rápida dos serviços de saúde locais.
Outro fator relevante é a circulação simultânea de diferentes sorotipos do vírus dengue. A presença dos quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) em diversas regiões aumenta substancialmente o risco de casos graves por infecções secundárias.
Dados consolidados de dengue em 2026
A dengue mantém-se como a arbovirose de maior impacto no Brasil em 2026. Os dados consolidados até o momento revelam aspectos importantes sobre o comportamento da doença no território nacional.
Casos notificados: o país registra números expressivos de notificações, com concentração nos meses de maior temperatura e pluviosidade. A sazonalidade característica permanece evidente, com pico de casos entre janeiro e maio.
Taxa de incidência: as regiões Centro-Oeste e Sudeste apresentam as maiores taxas de incidência por 100 mil habitantes. Estados como Goiás, Minas Gerais e São Paulo concentram volumes significativos de casos em números absolutos.
Casos graves: observa-se um aumento proporcional de casos de dengue grave e síndrome do choque da dengue, especialmente em populações com exposição prévia a diferentes sorotipos virais.
Óbitos: embora a letalidade geral permaneça abaixo de 1%, o número absoluto de óbitos relacionados à dengue demanda atenção especial, principalmente em municípios com infraestrutura de saúde limitada.
Perfil dos casos: crianças e idosos continuam sendo os grupos etários mais vulneráveis para evolução grave. Pessoas com comorbidades como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares apresentam maior risco de complicações.
A análise desses dados através da vigilância epidemiológica de arboviroses permite identificar áreas prioritárias para intensificação das ações de controle vetorial e fortalecimento da rede assistencial.
Situação da chikungunya no boletim de 2026
A chikungunya apresenta um padrão epidemiológico distinto em 2026, caracterizado por surtos localizados em regiões específicas do país. Diferentemente da dengue, que mantém transmissão mais generalizada, a chikungunya concentra-se em áreas com histórico recente de introdução do vírus.
Os estados do Nordeste, particularmente Bahia, Pernambuco e Ceará, continuam registrando as maiores incidências. A expansão geográfica da doença para estados das regiões Norte e Centro-Oeste representa uma preocupação crescente para as autoridades sanitárias.
Características clínicas: a fase aguda da chikungunya continua sendo marcada por febre alta e artralgia intensa. No entanto, o aspecto mais preocupante permanece sendo a cronificação dos sintomas articulares em parcela significativa dos pacientes.
Impacto na qualidade de vida: estudos recentes indicam que aproximadamente 40% a 60% dos pacientes mantêm dores articulares persistentes por meses ou anos após a infecção aguda. Esse quadro gera impacto socioeconômico considerável, com redução da produtividade e sobrecarga dos serviços de reabilitação.
Subnotificação: especialistas estimam que a subnotificação de casos de chikungunya seja ainda maior que a observada para dengue, uma vez que muitos pacientes com sintomas leves não buscam atendimento médico formal.
A integração dos dados de chikungunya aos sistemas de vigilância permite melhor compreensão da magnitude real do problema e orientação de políticas públicas voltadas não apenas para a fase aguda, mas também para o acompanhamento longitudinal dos pacientes.
Panorama da zika vírus em 2026
O zika vírus mantém transmissão em níveis endêmicos no Brasil em 2026, com incidência significativamente inferior aos picos observados durante a epidemia de 2015-2016. Apesar da redução no número de casos, a doença permanece como objeto de vigilância rigorosa devido às suas consequências neurológicas graves.
Os casos registrados em 2026 concentram-se principalmente nas regiões Norte e Nordeste, com focos esporádicos em outras áreas do país. A circulação do vírus zika em baixos níveis mantém a população em risco, especialmente gestantes.
Síndrome congênita do zika: embora em menor número que no auge da epidemia, novos casos de microcefalia e outras malformações associadas ao zika continuam sendo diagnosticados. Cada caso representa um desafio significativo para as famílias afetadas e para o sistema de saúde.
Vigilância em gestantes: os protocolos de acompanhamento de gestantes em áreas com circulação viral permanecem essenciais. A realização de exames de ultrassonografia e testes laboratoriais específicos possibilita a detecção precoce de alterações fetais.
Sequelas neurológicas: além das manifestações congênitas, observam-se casos de Síndrome de Guillain-Barré e outras complicações neurológicas associadas à infecção por zika em adultos, reforçando a necessidade de manutenção da vigilância epidemiológica.
A experiência acumulada desde 2015 fortaleceu significativamente a capacidade de resposta do sistema de saúde brasileiro. As redes de atenção especializadas, incluindo serviços de neurologia pediátrica e reabilitação, ampliaram-se em regiões prioritárias.
Febre amarela: situação atual no território nacional
A febre amarela mantém vigilância prioritária em 2026, com foco na prevenção de casos tanto na forma silvestre quanto no risco de reurbanização da doença. A vacinação continua sendo a estratégia mais eficaz de prevenção.
Cobertura vacinal: os dados de 2026 demonstram heterogeneidade na cobertura vacinal contra febre amarela entre diferentes regiões e grupos etários. Áreas com Recomendação da Vacina contra Febre Amarela (RCVFA) apresentam coberturas variáveis, com alguns municípios ainda abaixo da meta de 95%.
Casos registrados: o Brasil registra casos esporádicos de febre amarela silvestre, principalmente em regiões de mata com presença do vetor silvestre (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes). A vigilância de epizootias em primatas não humanos funciona como sistema de alerta precoce.
Risco de reurbanização: a presença massiva do Aedes aegypti em áreas urbanas mantém o risco teórico de reurbanização da febre amarela. Esse cenário, que não ocorre no Brasil desde 1942, representaria uma catástrofe sanitária de proporções imensuráveis.
Ampliação de áreas de risco: as mudanças climáticas e ambientais têm expandido a área de circulação viral, tornando regiões antes consideradas indenes em áreas de transmissão potencial.
A integração entre vigilância epidemiológica humana e vigilância ambiental é crucial para manter o controle efetivo da febre amarela. O monitoramento de epizootias, a investigação oportuna de casos suspeitos e a intensificação vacinal em áreas de risco compõem o tripé da prevenção.
Distribuição geográfica das arboviroses em 2026
A distribuição espacial das arboviroses no Brasil em 2026 reflete padrões complexos influenciados por fatores climáticos, demográficos, socioeconômicos e de infraestrutura urbana.
Região Norte: apresenta aumento expressivo na incidência de dengue e zika, com expansão para municípios anteriormente pouco afetados. A urbanização acelerada da região amazônica cria novos desafios para o controle vetorial.
Região Nordeste: continua sendo área endêmica para dengue e chikungunya, com as maiores taxas de incidência do país. A limitação de recursos hídricos em alguns estados paradoxalmente favorece o armazenamento inadequado de água, criando criadouros para o mosquito.
Região Centro-Oeste: registra as maiores taxas de incidência de dengue por 100 mil habitantes. Estados como Goiás e Mato Grosso do Sul enfrentam epidemias recorrentes. O clima quente e a urbanização crescente favorecem a proliferação vetorial.
Região Sudeste: concentra o maior número absoluto de casos devido à densidade populacional elevada. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro registram surtos significativos, especialmente em áreas metropolitanas.
Região Sul: embora historicamente apresente incidências menores, estados como Paraná e Santa Catarina registram aumento gradual de casos. As mudanças climáticas têm tornado o ambiente mais favorável ao vetor.
O mapa de casos de dengue e demais arboviroses evidencia a necessidade de estratégias diferenciadas por região, considerando as especificidades locais de transmissão e capacidade de resposta dos serviços de saúde.
Análise de indicadores entomológicos
Os indicadores entomológicos fornecem informações fundamentais sobre os níveis de infestação pelo Aedes aegypti e orientam as ações de controle vetorial. Os dados de 2026 revelam cenários preocupantes em diversas localidades.
Índice de Infestação Predial (IIP): o Levantamento Rápido de Índices (LIRAa) realizado no primeiro trimestre de 2026 identificou que aproximadamente 35% dos municípios brasileiros apresentavam IIP superior a 4%, indicando situação de risco elevado.
Distribuição dos criadouros: os recipientes mais frequentemente identificados como criadouros continuam sendo depósitos domiciliares de armazenamento de água, pratos de vasos de plantas, pneus descartados e lixo acumulado em quintais.
Resistência a inseticidas: estudos de monitoramento da resistência demonstram crescente tolerância do Aedes aegypti aos piretróides, classe de inseticidas amplamente utilizada no controle vetorial. Essa situação demanda revisão das estratégias químicas de controle.
Variação sazonal: os índices de infestação apresentam flutuação sazonal característica, com elevação durante os períodos de maior temperatura e precipitação. A correlação entre indicadores entomológicos e incidência de casos é evidente, embora não absoluta.
A análise integrada dos dados entomológicos com informações epidemiológicas, como realizada pelo programa Techdengue, permite identificar áreas de risco antes mesmo do aumento significativo de casos. Essa abordagem preditiva representa avanço importante na vigilância de arboviroses.
Perfil demográfico e clínico dos casos
A caracterização detalhada dos casos notificados em 2026 fornece subsídios importantes para compreender os grupos mais vulneráveis e orientar ações específicas de prevenção e assistência.
Distribuição por faixa etária: crianças menores de 10 anos e adultos acima de 60 anos continuam apresentando maior risco para formas graves de dengue. A faixa etária de 20 a 39 anos concentra o maior número absoluto de casos.
Distribuição por sexo: observa-se discreta predominância de casos no sexo feminino, possivelmente relacionada a maior permanência em ambientes domiciliares durante períodos de transmissão intensa.
Formas clínicas: a maioria dos casos evolui de forma benigna, com sintomatologia leve a moderada. Aproximadamente 5% dos pacientes desenvolvem sinais de alarme que demandam observação hospitalar, e cerca de 1% evolui para formas graves.
Comorbidades: hipertensão arterial, diabetes mellitus, obesidade e doenças cardiovasculares constituem os principais fatores de risco identificados para evolução desfavorável. A presença de comorbidades multiplica significativamente o risco de óbito.
Tempo entre início de sintomas e atendimento: a busca precoce por atendimento médico associa-se a melhores desfechos. Campanhas educativas enfatizando o reconhecimento de sinais de alarme mostram-se efetivas em reduzir a mortalidade.
Confirmação laboratorial: a proporção de casos confirmados laboratorialmente permanece abaixo do ideal, com muitos diagnósticos baseados exclusivamente em critérios clínico-epidemiológicos. A ampliação da capacidade laboratorial é necessária.
Óbitos por arboviroses: análise de fatores associados
Os óbitos relacionados às arboviroses constituem indicador crítico da efetividade do sistema de saúde em identificar e manejar adequadamente os casos graves. A análise dos óbitos ocorridos em 2026 revela padrões importantes.
Taxa de letalidade: embora a dengue apresente letalidade geral inferior a 1%, observam-se variações regionais significativas. Municípios com infraestrutura de saúde mais limitada registram taxas até cinco vezes superiores à média nacional.
Perfil dos óbitos: idosos com comorbidades múltiplas constituem o grupo de maior risco. Crianças menores de 5 anos também apresentam vulnerabilidade aumentada, especialmente quando o diagnóstico ocorre tardiamente.
Fatores evitáveis: a revisão de prontuários de casos que evoluíram para óbito identifica oportunidades perdidas de intervenção. Atraso no reconhecimento de sinais de alarme, hidratação inadequada e manejo inapropriado de comorbidades são fatores recorrentes.
Distribuição temporal: os óbitos concentram-se nos meses de maior incidência de casos, quando os serviços de saúde operam próximos ao limite de sua capacidade. A sobrecarga assistencial pode comprometer a qualidade do atendimento.
Investigação de óbitos: todos os óbitos relacionados às arboviroses devem ser investigados para identificar fragilidades no sistema de atenção à saúde. Essa análise retroalimenta o planejamento de ações e a capacitação de profissionais.
A redução da mortalidade por arboviroses depende fundamentalmente de três pilares: acesso oportuno aos serviços de saúde, capacitação profissional para manejo adequado dos casos graves e educação da população para reconhecimento precoce de sinais de alarme.
Ações de controle implementadas em 2026
O enfrentamento das arboviroses em 2026 mobiliza estratégias múltiplas de controle vetorial integrado, combinando métodos químicos, biológicos, ambientais e educativos.
Controle químico: a aplicação de inseticidas, tanto larvicidas quanto adulticidas, continua sendo componente importante das ações de controle. A nebulização espacial (fumacê) é utilizada em situações epidêmicas, apesar de sua eficácia limitada e crescente resistência do vetor.
Controle biológico: a utilização de Bacillus thuringiensis israelensis (BTI) e peixes larvófagos amplia-se como alternativa aos larvicidas químicos. Essas estratégias apresentam menor impacto ambiental e menor indução de resistência.
Wolbachia: programas de liberação de mosquitos Aedes aegypti infectados com a bactéria Wolbachia expandem-se para novos municípios. Essa tecnologia demonstra redução sustentada na transmissão de arboviroses em áreas onde já está estabelecida.
Manejo ambiental: ações de limpeza urbana, eliminação de criadouros e melhorias em infraestrutura de saneamento básico constituem estratégias estruturais de longo prazo. Investimentos nessa área apresentam impacto duradouro.
Educação em saúde: campanhas educativas utilizam múltiplos canais de comunicação para mobilizar a população. O engajamento comunitário permanece desafio importante, especialmente na manutenção de ações preventivas fora dos períodos epidêmicos.
Monitoramento preditivo: ferramentas como o programa Techdengue fornecem alertas precoces que orientam a intensificação antecipada de ações em áreas de risco, permitindo resposta mais oportuna e efetiva.
Desafios identificados no boletim de 2026
A análise do cenário epidemiológico de 2026 evidencia desafios persistentes que demandam atenção das autoridades sanitárias e mobilização social ampla.
Infraestrutura urbana inadequada: o crescimento desordenado de cidades, especialmente periferias urbanas, cria ambientes extremamente favoráveis à proliferação do vetor. Moradias precárias, saneamento inadequado e acúmulo de resíduos sólidos são fatores estruturais que perpetuam o problema.
Mudanças climáticas: o aquecimento global e alterações nos padrões de precipitação expandem as áreas geográficas favoráveis ao Aedes aegypti. Regiões antes protegidas por temperaturas mais baixas tornam-se progressivamente vulneráveis.
Resistência vetorial: a crescente resistência do mosquito aos inseticidas utilizados compromete a eficácia do controle químico, demandando desenvolvimento de novas ferramentas e estratégias alternativas.
Recursos limitados: a limitação orçamentária afeta negativamente a capacidade de resposta dos municípios. Recursos humanos, equipamentos e insumos insuficientes comprometem tanto as ações de vigilância quanto as de controle.
Engajamento comunitário intermitente: embora aumentem durante epidemias, as ações comunitárias de prevenção tendem a reduzir-se nos períodos inter-epidêmicos, quando seriam mais efetivas.
Integração entre serviços: a fragmentação entre vigilância epidemiológica, controle de endemias, atenção primária e vigilância laboratorial prejudica a efetividade das ações. A integração plena permanece como objetivo a ser alcançado.
Avanços tecnológicos e inovações
Apesar dos desafios, o boletim de 2026 também destaca avanços importantes incorporados aos programas de vigilância e controle de arboviroses.
Sistemas de alerta precoce: plataformas que integram dados epidemiológicos, climáticos e entomológicos permitem antecipar cenários de risco com semanas de antecedência. O programa Techdengue exemplifica essa abordagem preditiva.
Vigilância genômica: o sequenciamento de amostras virais possibilita rastrear a circulação de diferentes linhagens e identificar precocemente a introdução de novos sorotipos ou genótipos mais virulentos.
Aplicativos móveis: ferramentas digitais facilitam a notificação de casos, o registro de ações de campo e a comunicação entre diferentes níveis do sistema de saúde.
Modelagem matemática: modelos computacionais sofisticados auxiliam na compreensão da dinâmica de transmissão e na avaliação de diferentes cenários de intervenção.
Armadilhas inteligentes: dispositivos automatizados de captura e identificação de mosquitos fornecem dados entomológicos em tempo real, complementando os levantamentos tradicionais.
Telemedicina: a ampliação da teleconsulta facilita o acesso a especialistas e orienta o manejo adequado de casos suspeitos ou confirmados, especialmente em regiões remotas.
Essas inovações, quando adequadamente integradas aos processos de trabalho existentes, potencializam significativamente a efetividade das ações de vigilância epidemiológica de arboviroses.
Recomendações para profissionais de saúde
O boletim epidemiológico de arboviroses 2026 traz recomendações específicas para diferentes categorias profissionais envolvidas na vigilância e controle dessas doenças.
Para médicos e enfermeiros:
- Manter alta suspeição clínica para arboviroses durante períodos de transmissão intensa
- Reconhecer precocemente sinais de alarme que indicam evolução para formas graves
- Garantir hidratação adequada e monitoramento rigoroso de pacientes com critérios de internação
- Notificar todos os casos suspeitos imediatamente aos setores de vigilância epidemiológica
- Solicitar exames laboratoriais confirmatórios sempre que disponíveis
Para agentes de endemias:
- Intensificar as visitas domiciliares em áreas identificadas como de maior risco
- Realizar pesquisa minuciosa de criadouros, incluindo locais de difícil acesso
- Orientar adequadamente os moradores sobre eliminação de potenciais focos
- Registrar todas as ações realizadas nos sistemas de informação
- Participar de capacitações para utilização de novas tecnologias de controle
Para gestores:
- Analisar sistematicamente os dados epidemiológicos e entomológicos
- Alocar recursos de forma estratégica priorizando áreas de maior risco
- Fortalecer a integração entre vigilância, controle de endemias e atenção à saúde
- Investir em capacitação continuada de profissionais
- Estabelecer parcerias com universidades e centros de pesquisa
Comparação com anos anteriores
A análise comparativa dos dados de 2026 com os anos precedentes permite identificar tendências e avaliar o impacto das intervenções implementadas.
Comparação com 2024: o ano de 2024 estabeleceu recordes históricos de casos de dengue. Os dados de 2026, embora ainda elevados, demonstram redução proporcional em relação àquele pico epidêmico. Essa redução pode refletir tanto fatores climáticos quanto a intensificação de ações de controle.
Comparação com 2025: observa-se estabilização no número de casos de dengue e discreta elevação nos casos de chikungunya. A zika mantém-se em níveis endêmicos baixos. Essas oscilações são características da dinâmica cíclica das arboviroses.
Tendências de mortalidade: a taxa de letalidade por dengue apresenta redução gradual ao longo dos últimos anos, refletindo melhorias no manejo clínico e maior capacitação profissional. No entanto, o número absoluto de óbitos permanece preocupante.
Distribuição geográfica: observa-se expansão progressiva das áreas de transmissão intensa, com regiões anteriormente pouco afetadas apresentando incidências crescentes.
Coberturas vacinais: para febre amarela, as coberturas vacinais mantêm-se relativamente estáveis, com heterogeneidade importante entre diferentes municípios.
Essa análise temporal permite avaliar a efetividade das políticas públicas implementadas e identificar onde ajustes são necessários.
Perspectivas para o segundo semestre de 2026
As projeções epidemiológicas para o segundo semestre de 2026 indicam cenários que demandam atenção contínua dos serviços de vigilância e controle.
Fatores climáticos: os modelos meteorológicos preveem regime de chuvas dentro da normalidade para a maior parte do país. Temperaturas ligeiramente acima da média histórica podem favorecer a atividade vetorial.
Índices entomológicos: áreas que apresentam IIP elevado durante o período inter-epidêmico são candidatas a surtos quando as condições climáticas tornarem-se favoráveis.
Circulação viral: a manutenção da circulação dos quatro sorotipos de dengue eleva o risco de casos graves por infecções secundárias, particularmente em populações previamente expostas.
Capacidade de resposta: a preparação dos serviços de saúde para eventual aumento de demanda durante o final do ano é crucial. Estoques adequados de insumos e capacitação profissional devem ser garantidos.
Eventos climáticos extremos: fenômenos como El Niño ou La Niña podem alterar significativamente o padrão de transmissão, demandando monitoramento constante e capacidade de ajuste rápido das estratégias.
O acompanhamento próximo dos indicadores epidemiológicos e entomológicos através do painel de monitoramento de arboviroses permite identificar precocemente alterações no padrão de transmissão e acionar medidas preventivas oportunas.
Como acessar o boletim epidemiológico oficial
O boletim epidemiológico de arboviroses 2026 oficial do Ministério da Saúde está disponível para consulta pública através de diferentes canais.
Portal do Ministério da Saúde: a versão completa do boletim é publicada na seção de vigilância em saúde, com acesso gratuito e irrestrito.
Boletins estaduais e municipais: secretarias de saúde publicam análises específicas de suas jurisdições, complementando os dados nacionais com informações locais detalhadas.
Plataformas científicas: repositórios acadêmicos e bases de dados científicas disponibilizam análises complementares elaboradas por pesquisadores.
Aplicativos móveis: alguns aplicativos de saúde pública oferecem resumos dos principais dados epidemiológicos atualizados periodicamente.
O acesso amplo e democrático às informações epidemiológicas fortalece o controle social das políticas de saúde e permite que diferentes atores sociais contribuam para o enfrentamento das arboviroses.
Conclusão
O boletim epidemiológico de arboviroses 2026 revela um cenário complexo que combina desafios persistentes com avanços importantes na capacidade de vigilância e resposta do sistema de saúde brasileiro.
Os dados consolidados demonstram que as arboviroses permanecem como problema prioritário de saúde pública, demandando investimento continuado, inovação tecnológica e engajamento social amplo. A análise detalhada da distribuição geográfica, temporal e demográfica dos casos orienta a alocação estratégica de recursos e a implementação de intervenções direcionadas.
As inovações incorporadas aos sistemas de vigilância, incluindo plataformas preditivas como o programa Techdengue, representam avanços significativos na capacidade de antecipação de cenários de risco. A integração entre dados epidemiológicos, entomológicos e climáticos permite respostas mais oportunas e efetivas.
No entanto, desafios estruturais relacionados à infraestrutura urbana, mudanças climáticas e limitação de recursos exigem abordagens integradas que transcendem o setor saúde. O enfrentamento adequado das arboviroses demanda políticas intersetoriais que abordem determinantes sociais e ambientais da saúde.
A responsabilidade pelo controle das arboviroses é compartilhada entre gestores, profissionais de saúde e toda a sociedade. O conhecimento detalhado do cenário epidemiológico atual, como apresentado no boletim de 2026, constitui ponto de partida fundamental para ações coordenadas e baseadas em evidências.
O acompanhamento sistemático dos indicadores através dos sistemas de vigilância epidemiológica e a análise crítica das informações produzidas permanecem essenciais para orientar políticas públicas efetivas e para avançar no controle das arboviroses no Brasil.