Protocolo de hidratação para dengue: guia completo para hidratar corretamente

Se existe uma única medida que pode fazer a diferença entre uma recuperação tranquila e complicações graves na dengue, essa medida é a hidratação adequada. Não estamos falando de beber água quando sentir sede. Estamos falando de um protocolo estruturado e rigoroso de ingestão de líquidos.

A hidratação é considerada o pilar mais importante do tratamento da dengue, ainda mais fundamental que os medicamentos. Enquanto não existe antiviral específico contra o vírus da dengue, a hidratação adequada previne o choque hipovolêmico, mantém a função renal, facilita a eliminação de toxinas e pode literalmente salvar vidas.

Segundo o Ministério da Saúde, a desidratação é uma das principais causas de evolução para dengue grave e óbito. O programa Techdengue (techdengue.com) monitora casos em todo o país e reforça continuamente a importância crítica da hidratação durante todas as fases da doença.

Neste guia completo, você vai aprender exatamente quanto líquido precisa beber, quando beber, quais os melhores líquidos, como se hidratar quando há náuseas e vômitos, e como saber se a hidratação está adequada.

Por que a hidratação é tão importante na dengue

Antes de falarmos sobre o protocolo prático, é fundamental entender o que a dengue faz com o equilíbrio de líquidos no seu corpo.

O que acontece com os líquidos durante a dengue

A dengue causa uma série de alterações que levam à perda e redistribuição de líquidos:

Aumento da permeabilidade vascular: o vírus faz com que os vasos sanguíneos fiquem mais “porosos”, permitindo que o plasma (parte líquida do sangue) escape para os tecidos e cavidades do corpo.

Hemoconcentração: quando o plasma sai dos vasos, o sangue fica mais concentrado, aumentando o hematócrito e dificultando a circulação.

Febre alta persistente: causa perda significativa de líquidos através do suor, podendo chegar a 1 litro ou mais por dia em febres muito altas.

Vômitos frequentes: eliminam não apenas líquidos mas também eletrólitos essenciais.

Redução da ingestão oral: náuseas e falta de apetite fazem com que a pessoa beba menos espontaneamente, agravando a desidratação.

Dificuldade de concentração renal: os rins podem ter dificuldade em concentrar a urina adequadamente durante a infecção.

Consequências da hidratação inadequada

Quando a hidratação não é suficiente, o corpo entra em um ciclo perigoso:

Queda da pressão arterial devido à redução do volume sanguíneo circulante.

Choque hipovolêmico: em casos graves, a pressão cai tanto que órgãos vitais não recebem sangue suficiente.

Insuficiência renal aguda: rins precisam de fluxo sanguíneo adequado para funcionar.

Acúmulo de toxinas: sem hidratação suficiente, o corpo não elimina adequadamente os produtos do metabolismo.

Piora da contagem de plaquetas: a desidratação agrava a hemoconcentração e pode intensificar a queda de plaquetas.

Maior risco de óbito: o choque por dengue tem alta mortalidade se não tratado rapidamente.

Protocolo de hidratação segundo o Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde estabelece diretrizes claras sobre hidratação na dengue, que variam conforme a classificação de gravidade do caso.

Classificação dos casos e hidratação correspondente

Grupo A – Dengue sem sinais de alerta:

Pacientes que podem ser tratados em casa com hidratação oral.

Sem vômitos persistentes ou outros sinais de gravidade.

Plaquetas geralmente acima de 100.000/mm³.

Hidratação: via oral conforme protocolo que detalharemos.

Grupo B – Dengue com sinais de alerta:

Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramento de mucosas, letargia ou outros sinais preocupantes.

Plaquetas frequentemente abaixo de 100.000/mm³.

Hidratação: geralmente necessita hidratação venosa em ambiente hospitalar.

Grupo C – Dengue grave:

Choque, sangramento grave, comprometimento severo de órgãos.

Hidratação: venosa intensiva em ambiente de terapia intensiva.

Este artigo focará principalmente no protocolo de hidratação oral para pacientes do Grupo A, que podem ser tratados em casa, mas também abordaremos quando procurar atendimento hospitalar.

Quanto líquido beber: volumes recomendados

Para adultos com dengue sem sinais de alerta:

Mínimo de 2 a 3 litros de líquidos por dia em casos com febre moderada e boa tolerância oral.

3 a 4 litros ou mais por dia quando há febre muito alta (acima de 39°C) ou sudorese intensa.

Adicione 200 a 500 ml extras para cada episódio de vômito ou diarreia.

Para crianças com dengue:

A quantidade é calculada conforme o peso corporal:

60 a 80 ml de líquidos por quilo de peso ao longo de 24 horas.

Por exemplo, uma criança de 20 kg precisa de 1.200 a 1.600 ml por dia.

Uma criança de 30 kg precisa de 1.800 a 2.400 ml por dia.

Aumente o volume em 10-20% se houver febre alta ou vômitos.

Tipos de líquidos recomendados

Nem todos os líquidos são iguais quando falamos de hidratação para dengue. Alguns são mais eficazes e apropriados que outros.

Água: a base da hidratação

Água filtrada ou mineral deve ser a base de toda hidratação. É o líquido mais puro e sem contraindicações.

Beba água ao longo de todo o dia, não espere sentir sede.

Mantenha sempre uma garrafa de água ao seu alcance.

A água em temperatura ambiente ou levemente fresca costuma ser melhor tolerada que água gelada quando há náuseas.

Soro caseiro: reposição de eletrólitos

O soro caseiro é fundamental porque repõe não apenas água mas também sódio e glicose, essenciais para a absorção intestinal de líquidos e para manter o equilíbrio eletrolítico.

Receita do soro caseiro:

1 litro de água filtrada ou fervida (já fria)

1 colher de sopa rasa de açúcar

1 colher de café rasa de sal

Misture bem até dissolver completamente.

Como usar:

Alterne o soro caseiro com água pura ao longo do dia.

Consuma aproximadamente 500 ml a 1 litro de soro caseiro por dia, distribuído em pequenos goles.

Prepare novo soro a cada 24 horas. Não use soro de um dia para outro.

Mantenha refrigerado se preparar maior quantidade.

Soro de reidratação oral pronto

Soro de reidratação oral (SRO) de farmácia, como Pedialyte, Reidrat ou outros, são formulados cientificamente com proporções ideais de eletrólitos.

São especialmente úteis quando há vômitos ou diarreia associados.

Siga as instruções da embalagem para preparo.

Podem ser usados tanto em adultos quanto em crianças.

São mais caros que soro caseiro mas podem ser mais práticos.

Água de coco: hidratação natural

A água de coco é uma excelente opção natural, rica em potássio, magnésio e outros eletrólitos.

Prefira água de coco natural, mas as industrializadas também são úteis.

Pode ser consumida gelada ou em temperatura ambiente.

É particularmente útil quando há pouco apetite, pois tem sabor agradável.

Beba 500 ml a 1 litro por dia, alternando com água e outros líquidos.

Sucos naturais

Sucos de frutas naturais fornecem hidratação, vitaminas e energia através dos açúcares naturais.

Melhores opções:

Suco de laranja: rico em vitamina C, que fortalece imunidade.

Limonada: refrescante e com vitamina C.

Suco de melancia ou melão: muito hidratantes devido ao alto teor de água.

Suco de maracujá: pode ajudar com ansiedade e tem efeito calmante.

Dicas importantes:

Dilua os sucos em água para reduzir concentração de açúcar (proporção 1:1).

Evite sucos muito ácidos se houver náuseas intensas.

Prefira sucos feitos na hora ou pasteurizados sem aditivos.

Caldos e sopas

Caldos leves e sopas liquidificadas são excelentes porque fornecem hidratação, eletrólitos (do sal) e nutrientes.

Caldo de frango caseiro com legumes.

Caldo de carne magra.

Sopa de legumes liquidificada.

Esses líquidos são particularmente úteis quando há pouco apetite para alimentos sólidos. Para saber mais sobre alimentação, leia nosso artigo sobre o que comer para aumentar as plaquetas.

Chás leves

Chás naturais podem ser úteis, especialmente se ajudarem com náuseas ou relaxamento:

Chá de camomila: calmante e pode ajudar com náuseas.

Chá de erva-cidreira: relaxante.

Chá de hortelã: pode aliviar náuseas.

Chá de gengibre: excelente para náuseas (use com moderação).

Evite:

Chá preto, chá mate e chá verde em excesso (têm cafeína que pode aumentar diurese).

Chás muito fortes ou concentrados.

Bebidas isotônicas

Isotônicos como Gatorade, Powerade ou similares podem ser usados com moderação.

Fornecem eletrólitos e carboidratos.

Podem ser úteis especialmente se houver vômitos frequentes.

Use versões com menos açúcar quando possível.

Não devem ser a única fonte de hidratação, alterne com água e outros líquidos.

Líquidos que devem ser evitados

Tão importante quanto saber o que beber é entender o que evitar durante a dengue.

Bebidas alcoólicas: totalmente proibidas

Álcool é absolutamente contraindicado durante a dengue por múltiplos motivos:

Sobrecarrega o fígado, que já está comprometido pela infecção viral.

Causa desidratação através do efeito diurético.

Interfere com o sistema imunológico.

Pode interagir com medicamentos.

Aumenta risco de sangramento gastrointestinal.

Não consuma nenhum tipo de bebida alcoólica, nem mesmo cerveja “para hidratar”. Essa é uma crença perigosa e totalmente falsa.

Refrigerantes: evitar

Refrigerantes não são recomendados porque:

Alto teor de açúcar sem benefício nutricional.

Podem causar distensão abdominal e desconforto.

A cafeína em colas e guaranás tem efeito diurético leve.

Acidez pode piorar náuseas em alguns casos.

Se você realmente não consegue beber outros líquidos e o refrigerante é a única coisa que aceita, é melhor beber refrigerante do que não beber nada, mas esta deve ser a última opção.

Café em excesso

Café e bebidas com muita cafeína devem ser limitados porque:

Têm efeito diurético que pode aumentar perda de líquidos.

Podem aumentar frequência cardíaca em um corpo já estressado.

Podem piorar ansiedade e insônia.

Se você é consumidor habitual de café e não quer parar completamente (para evitar cefaleia por abstinência), limite-se a 1 xícara por dia e não conte como parte da hidratação.

Leite e derivados em excesso

Leite não é proibido mas deve ser consumido com moderação porque:

Pode aumentar náuseas em algumas pessoas.

Não é tão eficaz para hidratação quanto água ou soro.

Em excesso pode causar desconforto abdominal.

Iogurtes naturais e leite podem ser consumidos como parte da alimentação, mas não devem ser a principal fonte de líquidos.

Como distribuir a hidratação ao longo do dia

Não adianta beber 3 litros de água de uma vez. A hidratação precisa ser constante e distribuída ao longo de todo o dia.

Estratégia de hidratação horária

Uma forma prática de garantir hidratação adequada é estabelecer uma meta horária:

Para adultos que precisam de 3 litros por dia:

Dividindo por 16 horas acordadas (considerando 8 horas de sono), isso equivale a aproximadamente 190 ml por hora.

Na prática: um copo (200 ml) de líquido a cada hora durante o dia.

Para crianças:

Ajuste o volume conforme o peso e divida igualmente ao longo das horas acordadas.

Uma criança que precisa de 1.600 ml pode beber 100 ml a cada hora (meio copo).

Rotina prática de hidratação

Ao acordar: 1 copo de água assim que levantar.

Café da manhã: 1 copo de suco natural ou água de coco.

Meio da manhã: 1 copo de soro caseiro ou água.

Antes do almoço: 1 copo de água.

Após o almoço: 1 copo de suco ou água de coco.

Meio da tarde: 1 copo de água ou chá.

Lanche da tarde: 1 copo de soro ou água.

Antes do jantar: 1 copo de água.

Após o jantar: 1 copo de suco ou água.

Antes de dormir: meio copo de água.

Durante a noite: mantenha água ao lado da cama para beber se acordar.

Este é um exemplo. Adapte conforme sua rotina e necessidade, mas o importante é nunca ficar mais de 1 a 2 horas sem ingerir líquidos durante o dia.

Usando alarmes como lembrete

Durante a dengue, com febre e mal-estar, é fácil esquecer de beber água. Configure alarmes no celular a cada 1 ou 2 horas lembrando de se hidratar.

Essa estratégia simples pode fazer grande diferença na adesão ao protocolo de hidratação.

Hidratação quando há náuseas e vômitos

Um dos maiores desafios na hidratação durante a dengue é conseguir manter líquidos quando há náuseas intensas ou vômitos frequentes.

Por que vômitos são preocupantes

Vômitos não apenas eliminam os líquidos que você conseguiu beber, mas também causam perda de eletrólitos importantes como sódio, potássio e cloro.

Vômitos persistentes (mais de 3 episódios em 6 horas ou impossibilidade de reter qualquer líquido por 4-6 horas) são considerados sinal de alerta e exigem avaliação médica urgente.

Estratégias para hidratar com náuseas

Pequenos goles frequentes:

Em vez de tentar beber um copo inteiro, tome pequenos goles de 10-20 ml a cada 5-10 minutos.

Isso é mais tolerado pelo estômago e reduz risco de provocar vômito.

Use uma colher de sopa ou seringa oral para medir volumes pequenos.

Temperatura dos líquidos:

Líquidos em temperatura ambiente ou levemente frescos são geralmente melhor tolerados.

Água gelada pode aumentar náuseas em algumas pessoas, mas outras preferem gelada. Teste o que funciona melhor para você.

Tipos de líquidos para náuseas:

Água de coco gelada é frequentemente bem tolerada.

Chá de gengibre em pequenos goles pode aliviar náuseas.

Picolés caseiros de frutas ou água de coco permitem hidratação gradual.

Água com algumas gotas de limão pode ser mais tolerada.

Gelo picado ou lascas de gelo para chupar.

Evite durante náuseas intensas:

Líquidos muito doces ou muito ácidos.

Bebidas com cheiro forte.

Grandes volumes de uma vez.

Técnica de reidratação pós-vômito

Após um episódio de vômito:

Espere 15 a 20 minutos antes de tentar beber novamente, deixando o estômago se acalmar.

Comece com 1 colher de sopa (15 ml) de líquido.

Espere 10 minutos. Se não vomitou, tome outra colher.

Aumente gradualmente o volume a cada 10-15 minutos se conseguir reter.

Objetivo: chegar a 30-50 ml a cada 15 minutos nas primeiras 1-2 horas pós-vômito.

Medicamentos antieméticos

Se náuseas e vômitos são muito intensos, o médico pode prescrever medicamentos antieméticos como:

Metoclopramida (Plasil)

Ondansetrona (Vonau, Nausedron)

Bromoprida (Plamet)

Esses medicamentos facilitam muito a hidratação oral ao controlar náuseas e vômitos. Não use sem prescrição médica, mas não hesite em pedir ao médico se os vômitos estão dificultando a hidratação.

Quando a hidratação oral não é possível

Se você não consegue reter nenhum líquido por 4 a 6 horas apesar de todas as tentativas, procure atendimento médico imediatamente.

Será necessária hidratação venosa (soro na veia) para prevenir desidratação grave e suas complicações.

Não espere ficar gravemente desidratado. É melhor buscar ajuda médica preventivamente. Para saber mais sobre quando buscar atendimento, leia nosso guia sobre o que fazer com suspeita de dengue.

Como saber se a hidratação está adequada

É importante monitorar sinais que indicam se sua hidratação está suficiente ou se precisa aumentar a ingestão de líquidos.

Sinais de hidratação adequada

Cor da urina: urina clara, de cor amarelo-claro ou quase transparente indica boa hidratação. Essa é a forma mais prática e eficaz de monitorar.

Volume urinário: urinar a cada 3-4 horas durante o dia com volume razoável (não apenas gotas).

Mucosas úmidas: boca e lábios úmidos, não ressecados.

Pressão arterial estável: não sentir tontura ao levantar.

Pele com elasticidade normal: ao fazer uma prega na pele do dorso da mão, ela volta rapidamente ao normal.

Ausência de sede excessiva: sentir-se confortável sem sede intensa.

Sinais de desidratação leve a moderada

Urina concentrada: cor amarelo-escuro ou alaranjada.

Diminuição do volume urinário: urinar menos de 4-5 vezes ao dia ou volume muito pequeno.

Boca seca: lábios ressecados, língua seca.

Sede intensa: vontade constante de beber água.

Fadiga aumentada: mais cansaço que o esperado para a fase da doença.

Tontura leve ao levantar rapidamente.

Se você notar esses sinais, aumente imediatamente a ingestão de líquidos e monitore de perto.

Sinais de desidratação grave – busque atendimento urgente

Urina muito escassa ou ausente por mais de 6-8 horas.

Urina muito escura tipo cor de coca-cola.

Tonturas intensas ou desmaios.

Confusão mental ou sonolência excessiva.

Extremidades frias com suor frio.

Pele muito seca e pálida, com elasticidade muito reduzida.

Frequência cardíaca muito acelerada mesmo em repouso.

Olhos fundos com olheiras pronunciadas.

Esses são sinais de desidratação grave e possível choque. Procure atendimento médico de emergência imediatamente.

Hidratação para grupos especiais

Alguns grupos requerem atenção adicional com relação ao protocolo de hidratação.

Bebês e crianças pequenas

Bebês em aleitamento materno:

Devem continuar sendo amamentados sob livre demanda, oferecendo o seio com mais frequência.

O leite materno é um alimento completo e fornece hidratação adequada.

Adicione água ou soro oral entre as mamadas conforme orientação do pediatra.

Crianças que já tomam outros líquidos:

Ofereça líquidos com frequência aumentada, mesmo que a criança não peça.

Use copos coloridos, canudos divertidos ou estratégias lúdicas para incentivar.

Picolés caseiros são excelentes para crianças que rejeitam líquidos.

Sopas e caldos ajudam a combinar hidratação com nutrição.

Sinais de desidratação em crianças:

Moleira (fontanela) afundada em bebês.

Ausência de lágrimas ao chorar.

Fralda seca por mais de 6 horas.

Letargia ou irritabilidade excessiva.

Lábios e língua muito secos.

Procure pediatra imediatamente se identificar sinais de desidratação em crianças.

Gestantes com dengue

Grávidas precisam de atenção redobrada com hidratação porque:

Já têm maior necessidade de líquidos durante a gestação.

Desidratação pode afetar o fluxo sanguíneo placentário.

Gestantes com dengue são consideradas grupo de risco.

Recomendações:

Aumente para 3,5 a 4 litros de líquidos por dia.

Prefira líquidos nutritivos como água de coco, sucos naturais, caldos.

Mantenha acompanhamento obstétrico além do acompanhamento da dengue.

Se vômitos impedirem hidratação oral, busque atendimento imediatamente.

Idosos com dengue

Pessoas com mais de 65 anos frequentemente têm sensação de sede diminuída e podem não perceber que estão desidratadas.

Cuidados especiais:

Estabeleça rotina rígida de hidratação com horários fixos, não dependendo da sensação de sede.

Familiares ou cuidadores devem supervisionar e garantir que o idoso está bebendo suficiente.

Atenção se o idoso tem restrição de líquidos por problemas cardíacos ou renais – neste caso, siga orientação médica específica.

Monitore volume e cor da urina de perto.

Pessoas com doenças crônicas

Insuficiência cardíaca ou renal:

Podem ter restrição de líquidos prescrita habitualmente.

Durante a dengue, essa restrição pode precisar ser reavaliada.

Consulte o médico urgentemente para ajuste individual do plano de hidratação.

Nunca aumente líquidos drasticamente por conta própria se você tem restrição médica.

Diabetes:

Prefira líquidos sem açúcar ou com baixo teor de açúcar.

Monitore glicemia com mais frequência durante a dengue.

Hidratação adequada é especialmente importante para função renal em diabéticos.

Hidratação venosa: quando é necessária

Em alguns casos, a hidratação oral não é suficiente e torna-se necessária hidratação intravenosa (soro na veia).

Indicações para hidratação venosa

Vômitos persistentes que impedem hidratação oral adequada.

Sinais de desidratação moderada a grave apesar de tentativas de hidratação oral.

Sinais de alerta da dengue: dor abdominal intensa, sangramento, tonturas importantes.

Hemoconcentração progressiva: hematócrito aumentando nos exames seriados.

Queda importante de pressão arterial ou sinais de choque incipiente.

Impossibilidade de ingerir líquidos por qualquer motivo (alteração de consciência, convulsões, etc.).

Como funciona a hidratação venosa

No hospital, você receberá soro fisiológico ou Ringer lactato diretamente na veia.

O volume e velocidade de infusão são calculados conforme:

Seu peso corporal.

Grau de desidratação.

Resultados dos exames (hematócrito, plaquetas).

Presença de sinais de extravasamento de plasma.

Em casos leves, pode ser hidratação por algumas horas em observação e depois alta.

Em casos mais graves, pode requerer internação por dias.

A hidratação venosa permite correção mais rápida da desidratação e monitoramento rigoroso de sinais vitais.

Dicas práticas para manter hidratação adequada

Aqui estão estratégias do mundo real que facilitam seguir o protocolo de hidratação.

Organize seus líquidos

Prepare com antecedência:

Faça jarras de água com rodelas de limão pela manhã.

Prepare soro caseiro para o dia todo.

Compre água de coco e sucos naturais.

Tenha garrafas de água em vários cômodos da casa.

Mantenha tudo acessível:

Ao lado da cama.

Na mesa de centro da sala.

No banheiro.

Onde quer que você esteja descansando.

Quanto mais fácil o acesso, maior a adesão.

Use garrafas com marcação

Garrafas marcadas com horários ajudam a visualizar se você está cumprindo a meta.

Você pode comprar garrafas com marcações ou fazer as suas próprias com caneta permanente:

8h – primeira marcação

10h – segunda marcação

12h – terceira marcação

E assim por diante até completar o volume diário.

Varie os líquidos para não enjoar

Beber apenas água o dia todo pode ser monótono e fazer você desistir.

Alterne:

Água pura → água de coco → suco natural → soro caseiro → chá → caldo → repita.

A variedade torna o protocolo mais palatável e sustentável.

Estabeleça recompensas

Principalmente para crianças (mas funciona com adultos também):

A cada litro completado, uma pequena recompensa (assistir episódio favorito, escolher o filme, etc.).

Gamificar a hidratação pode aumentar significativamente a adesão.

Envolver família e cuidadores

Se você está muito debilitado:

Peça que familiares ou cuidadores ofereçam líquidos regularmente.

Eles podem controlar o quanto você bebeu e lembrar de beber mais.

Não tenha vergonha de pedir ajuda. Aceitar suporte é importante para sua recuperação.

Erros comuns na hidratação

Conheça os erros mais frequentes para evitá-los.

Erro 1: Beber apenas quando sente sede

A sede não é um bom indicador durante a dengue. Quando você sente sede, já está levemente desidratado.

Beba mesmo sem sede, seguindo o protocolo horário.

Erro 2: Compensar de uma vez só

Percebeu que bebeu pouco durante o dia e tenta compensar bebendo 1 litro de uma vez à noite?

Não funciona. O corpo não absorve eficientemente grandes volumes de uma só vez.

A hidratação precisa ser constante e distribuída.

Erro 3: Contar refrigerante e café como hidratação

Café, refrigerantes e outras bebidas inadequadas não contam para sua meta de hidratação.

Conte apenas água, soro, água de coco, sucos naturais, chás e caldos.

Erro 4: Parar de beber quando melhora a febre

A febre melhorar não significa que você está curado. Pode ser a entrada na fase crítica.

Continue o protocolo de hidratação rigoroso até liberação médica.

Erro 5: Não ajustar por vômitos ou febre alta

Se você vomitou ou está com febre muito alta, precisa de mais líquidos, não a mesma quantidade.

Aumente 200-500 ml para cada episódio de vômito ou diarreia.

Monitoramento e registro

Manter um registro de hidratação pode ser muito útil, especialmente para mostrar ao médico nas consultas de retorno.

Como fazer o registro

Use um caderno, bloco de notas no celular ou app:

Anote o horário e volume de cada ingestão de líquido.

Registre episódios de vômito ou diarreia.

Anote cor da urina e frequência urinária.

Registre temperatura corporal a cada medição.

Esse registro ajuda a:

Garantir que você está bebendo suficiente.

Identificar padrões (ex: você bebe menos à tarde).

Fornecer informações precisas ao médico.

Ajustar o protocolo se necessário.

Considerações finais sobre hidratação na dengue

O protocolo de hidratação para dengue pode ser resumido em princípios fundamentais:

Beba no mínimo 2 a 3 litros por dia (adultos), ajustando para 3-4 litros ou mais conforme necessidade.

Distribua a hidratação ao longo de todo o dia, não concentre em poucos momentos.

Varie os tipos de líquidos: água, soro caseiro, água de coco, sucos naturais, chás, caldos.

Monitore a cor da urina: se não estiver clara, beba mais.

Use estratégias específicas para náuseas: pequenos goles frequentes, picolés, temperatura adequada.

Busque ajuda médica se não conseguir hidratar adequadamente ou apresentar sinais de desidratação.

A hidratação adequada é tão importante quanto a medicação correta. Leia sobre o que tomar para dengue em nosso guia específico sobre medicamentos.

Combine hidratação com repouso adequado (leia sobre repouso para dengue quantos dias) e alimentação nutritiva para uma recuperação completa.

Lembre-se: a dengue é uma doença séria mas tratável. A hidratação adequada é uma das ferramentas mais poderosas que você tem para garantir uma recuperação segura e sem complicações.

Cuide-se, hidrate-se constantemente e não hesite em buscar orientação médica sempre que necessário. Sua saúde vale todo o esforço!

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