Os sintomas de dengue hemorrágica representam as manifestações mais graves da infecção pelo vírus da dengue, caracterizando um quadro clínico que pode evoluir rapidamente para choque e óbito se não tratado adequadamente. Compreender estas manifestações é fundamental tanto para profissionais de saúde quanto para a população em geral.
Em 2024, foram confirmados 82.908 casos de dengue com sinais de alarme e dengue grave no Brasil, um aumento alarmante de 307,8% em relação ao ano anterior. Destes casos, 4.269 evoluíram para óbito, evidenciando a letalidade desta forma da doença quando não manejada adequadamente.
A dengue hemorrágica – atualmente denominada pela Organização Mundial da Saúde como dengue grave – é classificada na Classificação Internacional de Doenças sob o código CID A91, diferenciando-se da dengue clássica (CID A90) pela presença de complicações hemorrágicas, extravasamento plasmático grave ou disfunção de órgãos.
O que é dengue hemorrágica?
A dengue hemorrágica ou dengue grave é a forma mais severa da doença, caracterizada pela evolução para complicações que colocam a vida do paciente em risco iminente. Segundo o Ministério da Saúde, a dengue grave ocorre quando, de três a sete dias após o início dos sintomas, o paciente apresenta sinais de alarme e de gravidade como hemorragias até choque, piorando o estado clínico geral.
Diferença entre dengue clássica e dengue hemorrágica
Enquanto a dengue clássica (CID A90) caracteriza-se por febre e sintomas gerais que melhoram progressivamente após a fase febril, a dengue hemorrágica (CID A91) evolui com:
- Sangramento grave que compromete a estabilidade hemodinâmica
- Extravasamento plasmático severo levando ao choque
- Disfunção grave de órgãos como fígado, coração, rins ou sistema nervoso
- Necessidade de internação imediata em unidade de terapia intensiva
O CID A91 classifica a dengue hemorrágica, uma forma mais grave da doença caracterizada por sangramentos espontâneos, choque circulatório e necessidade de internação imediata.
Quando suspeitar de dengue hemorrágica?
A evolução para dengue hemorrágica geralmente ocorre na fase crítica da doença, momento em que a febre diminui ou desaparece, entre o terceiro e o sétimo dia após o início dos sintomas.
O choque na dengue é de rápida instalação e tem curta duração. Pode levar o paciente ao óbito em um intervalo de 12 a 24 horas ou à sua recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada.
Fatores de risco para dengue hemorrágica
Algumas condições aumentam significativamente o risco de evolução para a forma grave:
Infecção secundária: pessoas que já tiveram dengue anteriormente apresentam maior risco na segunda infecção, especialmente se por sorotipo diferente do primeiro.
Idade extrema: menores de 2 anos e maiores de 60 anos têm maior vulnerabilidade. A maior taxa de letalidade foi registrada em menores de um ano, com incremento gradativo para indivíduos acima dos 50 anos de idade.
Comorbidades preexistentes: hipertensão arterial e diabetes foram as mais prevalentes entre os óbitos, com 46% e 26% respectivamente. Outras condições incluem cardiopatias, obesidade, doenças hematológicas, doença renal crônica e hepatopatias.
Gestação: a letalidade por dengue entre gestantes é superior à da população de mulheres em idade fértil não gestantes, com maior risco no terceiro trimestre.
Sintomas principais da dengue hemorrágica
As formas graves da doença manifestam-se através de três categorias principais de complicações, que podem ocorrer isoladamente ou em combinação:
1. Choque por extravasamento plasmático
O choque representa a complicação mais comum e fatal da dengue hemorrágica. Ocorre quando um volume crítico de plasma é perdido por meio do extravasamento, geralmente entre o quarto ou quinto dia de doença, sendo precedido por sinais de alarme.
Sinais de choque compensado (fase inicial)
Na fase inicial, o corpo tenta compensar a perda de volume:
- Estado de consciência: paciente ainda está claro e lúcido, mas se não for tocado, o choque pode não ser detectado
- Enchimento capilar: prolongado (3 a 5 segundos)
- Extremidades: frias ao toque
- Pulso periférico: fraco e filiforme
- Ritmo cardíaco: taquicardia (coração acelerado)
- Pressão arterial: sistólica ainda normal, mas diastólica crescente, com pressão convergente
- Pressão arterial média: redução de 20 mmHg ou mais, com hipotensão postural
- Frequência respiratória: taquipneia (respiração acelerada)
Sinais de choque com hipotensão (fase tardia)
Quando não tratado, o choque evolui para fase descompensada:
- Alteração do estado mental: agitação ou agressividade
- Enchimento capilar: muito prolongado (maior que 5 segundos), com pele mosqueada
- Extremidades: muito frias, úmidas, pálidas ou cianóticas (roxas)
- Pulso periférico: tênue ou ausente
- Hipotensão arterial: pressão sistólica menor que 90 mmHg em adultos
- Pressão de pulso: menor que 20 mmHg
- Acidose metabólica: respiração de Kussmaul (respiração profunda e rápida)
- Bradicardia: no choque tardio, o coração desacelera perigosamente
Consequências do choque prolongado
Quando prolongado, o choque leva à hipoperfusão de órgãos, resultando no comprometimento progressivo destes, acidose metabólica e coagulação intravascular disseminada (CIVD). Consequentemente, pode levar a hemorragias graves, causando diminuição de hematócrito e agravando ainda mais o quadro.
2. Hemorragias graves
As manifestações hemorrágicas vultosas podem ocorrer com ou sem choque prolongado, caracterizando a forma hemorrágica da doença:
Sangramentos externos
- Epistaxe volumosa: sangramento nasal intenso e persistente
- Gengivorragia espontânea: sangramento gengival sem trauma
- Hematêmese: vômito com sangue, podendo ser em grande volume
- Melena: fezes escuras e fétidas com sangue digerido
- Hematoquesia: sangue vermelho vivo nas fezes
- Metrorragia: sangramento vaginal volumoso fora do período menstrual
- Sangramento cutâneo: equimoses extensas, púrpuras, hematomas espontâneos
Sangramentos internos
- Hemorragia digestiva: em pacientes com histórico de úlcera péptica ou gastrites, ou que usaram ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios não esteroides ou anticoagulantes
- Hemorragia intracraniana: extremamente grave, pode levar a sequelas neurológicas permanentes ou óbito
- Hemorragia intra-abdominal: pode não ser visível externamente, mas causa instabilidade hemodinâmica
- Hemorragia pulmonar: manifesta-se por hemoptise (tosse com sangue) e insuficiência respiratória
Características importantes
Em alguns casos, a hemorragia massiva pode ocorrer sem choque prolongado, sendo esta um dos critérios de gravidade. Esses casos não estão obrigatoriamente associados à trombocitopenia e à hemoconcentração.
As manifestações hemorrágicas resultam de múltiplos mecanismos:
- Alterações vasculares com aumento da permeabilidade
- Plaquetopenia (redução das plaquetas)
- Coagulopatia de consumo
- Disfunção hepática com redução de fatores de coagulação
3. Disfunção grave de órgãos
O comprometimento grave de órgãos pode ocorrer sem o concomitante extravasamento plasmático severo, caracterizando outra forma de dengue grave:
Comprometimento hepático
A elevação de enzimas hepáticas de pequena monta ocorre em até 50% dos pacientes. Nas formas graves, pode evoluir para comprometimento severo das funções hepáticas:
- Aminotransferases elevadas: AST e ALT maiores ou iguais a 1.000 UI/L (mais de dez vezes o valor máximo normal)
- Tempo de protrombina prolongado: indicando disfunção de síntese hepática
- Icterícia: coloração amarelada da pele e mucosas
- Encefalopatia hepática: alteração de consciência por acúmulo de toxinas
- Insuficiência hepática fulminante: em casos extremos, pode necessitar transplante
Comprometimento cardíaco
As miocardites por dengue são expressas principalmente por:
- Alterações do ritmo cardíaco: taquicardias e bradicardias
- Alterações eletrocardiográficas: inversão da onda T e do segmento ST
- Disfunções ventriculares: diminuição da fração de ejeção do ventrículo esquerdo
- Elevação de enzimas cardíacas: troponina, CK-MB
- Insuficiência cardíaca congestiva: com congestão pulmonar
- Miocardite: associada à depressão miocárdica
- Choque cardiogênico: quando a função cardíaca está severamente comprometida
Podem ocorrer alterações cardíacas graves, que se manifestam com quadros de insuficiência cardíaca e miocardite, redução da fração de ejeção e choque cardiogênico.
Comprometimento neurológico
O acometimento grave do sistema nervoso pode ocorrer no período febril ou, mais tardiamente, na convalescença:
- Alteração de consciência: letargia, torpor, coma
- Convulsões: crises convulsivas focais ou generalizadas
- Encefalite: inflamação do encérebro com sinais neurológicos focais
- Meningite linfomonocítica: inflamação das meninges
- Síndrome de Guillain-Barré: polirradiculoneurite ascendente
- Outras polineuropatias: alterações de sensibilidade e força
- Síndrome de Reye: encefalopatia com esteatose hepática (rara)
Alguns pacientes podem apresentar manifestações neurológicas como convulsões e irritabilidade.
Comprometimento renal
A insuficiência renal aguda é pouco frequente na dengue, mas quando presente geralmente cursa com pior prognóstico:
- Oligúria: diurese menor que 0,5 mL/kg/h
- Anúria: ausência de diurese
- Elevação de ureia e creatinina: indicando perda de função renal
- Distúrbios eletrolíticos: hipercalemia, acidose metabólica
- Necessidade de diálise: nos casos mais graves
Comprometimento pulmonar
A síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), pneumonites e sobrecargas de volume podem ser a causa do desconforto respiratório:
- Dispneia progressiva: falta de ar crescente
- Taquipneia: respiração acelerada
- Hipoxemia: baixa oxigenação sanguínea
- Infiltrados pulmonares: visíveis na radiografia de tórax
- Derrame pleural volumoso: comprimindo o pulmão
- Necessidade de ventilação mecânica: nos casos mais graves
Evolução temporal dos sintomas
Compreender a linha do tempo da dengue hemorrágica é essencial para identificação e manejo precoces:
Fase febril (dias 1-3)
Manifestações iniciais indistinguíveis da dengue clássica:
- Febre alta e súbita (39°C a 40°C)
- Cefaleia intensa
- Dor retro-orbitária
- Mialgias e artralgias intensas
- Prostração acentuada
- Exantema em alguns casos
Fase crítica (dias 3-7)
Período de maior risco, coincide com a defervescência da febre:
- Surgimento de sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes)
- Início do extravasamento plasmático
- Acúmulo de líquidos em cavidades (ascite, derrame pleural)
- Hemoconcentração (aumento do hematócrito)
- Sangramento de mucosas
- Hepatomegalia
- Alterações do estado de consciência
Janela crítica: entre 24 e 48 horas, quando pode ocorrer progressão para choque ou hemorragias graves.
Fase de recuperação ou deterioração (após dia 7)
Se tratado adequadamente: reabsorção gradual do líquido extravasado, melhora progressiva, normalização de parâmetros laboratoriais.
Se não tratado ou evolução desfavorável: progressão para choque irreversível, sangramento maciço, disfunção múltipla de órgãos, óbito.
Exames laboratoriais na dengue hemorrágica
Os exames complementares são fundamentais para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e orientar o tratamento:
Hemograma completo
Hematócrito:
- Aumento progressivo indica hemoconcentração por extravasamento plasmático
- Elevação de 10-20% em relação ao valor basal indica gravidade
- Queda súbita pode indicar sangramento grave
Plaquetas:
- Trombocitopenia (plaquetas baixas) é comum, mas o valor isolado não define gravidade
- Valores extremamente baixos (menor que 20.000/mm³) aumentam risco de sangramento
- A tendência é mais importante que o valor isolado
Leucócitos:
- Leucopenia inicial seguida de leucocitose
- Linfócitos atípicos podem estar presentes
Coagulograma
Tempo de protrombina (TAP/INR):
- Prolongamento indica disfunção hepática ou coagulopatia de consumo
Tempo de tromboplastina parcial (TTPa):
- Alargamento sugere alteração de fatores de coagulação
Fibrinogênio:
- Redução indica coagulação intravascular disseminada (CIVD)
Produtos de degradação da fibrina (PDF) e dímeros-D:
- Elevação confirma CIVD
Bioquímica
Transaminases (AST e ALT):
- Elevação leve a moderada é comum
- Valores maiores que 1.000 UI/L indicam comprometimento hepático grave
Albumina sérica:
- Hipoalbuminemia por extravasamento plasmático
Ureia e creatinina:
- Elevação indica comprometimento renal
Eletrólitos:
- Hiponatremia e hipocalemia são comuns
Gasometria arterial
- Acidose metabólica indica choque e hipoperfusão tecidual
- pH menor que 7,20 indica gravidade extrema
Exames de imagem
Radiografia de tórax:
- Derrame pleural (mais comum à direita)
- Infiltrados pulmonares
- Cardiomegalia
Ultrassonografia de abdome:
- Mais sensível para detectar derrames cavitários
- Ascite
- Espessamento da parede da vesícula biliar
- Hepatomegalia
Ecocardiograma:
- Derrame pericárdico
- Avaliação da função ventricular
- Sinais de miocardite
Diagnóstico diferencial
A dengue hemorrágica pode ser confundida com outras condições graves, sendo fundamental o diagnóstico diferencial:
Outras febres hemorrágicas
- Febre amarela: icterícia precoce, ausência de rash, comprometimento hepático severo
- Leptospirose: icterícia, insuficiência renal, mialgia de panturrilhas
- Hantavirose: síndrome cardiopulmonar, hipotensão precoce
- Febre maculosa: exantema petequial precoce, início em extremidades
Doenças hematológicas
- Púrpura trombocitopênica idiopática: plaquetopenia isolada sem leucopenia
- Leucemias agudas: blastos no hemograma, linfoadenomegalia
- Coagulação intravascular disseminada: contexto clínico diferente
Emergências abdominais
- Apendicite aguda: dor em fossa ilíaca direita, sem febre alta inicial
- Abdome agudo perfurativo: sinais de irritação peritoneal difusa
- Colecistite aguda: dor em hipocôndrio direito, Murphy positivo
Choque de outras etiologias
- Choque séptico: resposta mais lenta à reposição volêmica
- Meningococcemia: petéquias difusas precoces, rigidez de nuca
As principais diferenças entre o choque da dengue e o choque séptico podem ser consultadas no protocolo do Ministério da Saúde.
Em gestantes
- Pré-eclâmpsia: hipertensão arterial, proteinúria
- Síndrome de HELLP: hemólise, enzimas hepáticas elevadas, plaquetas baixas
- Descolamento prematuro de placenta: sangramento vaginal, hipertonia uterina
Tratamento da dengue hemorrágica
O manejo adequado da dengue grave é complexo e deve ser realizado em ambiente hospitalar, preferencialmente em unidade de terapia intensiva:
Reposição volêmica imediata
Iniciar imediatamente fase de expansão rápida parenteral com soro fisiológico a 0,9% (20 mL/kg em até 20 minutos) em qualquer nível de complexidade, inclusive durante eventual transferência para uma unidade de referência, mesmo na ausência de exames complementares.
Protocolo de expansão:
- Primeira fase: 20 mL/kg em 20 minutos
- Reavaliação: após 15-30 minutos
- Repetir até 3 vezes se não houver melhora
- Fase de expansão do Grupo C: se houver melhora
Uso de expansores plasmáticos
Se o hematócrito estiver em ascensão após reposição volêmica adequada:
- Albumina: 0,5 a 1 g/kg, preparar solução a 5%
- Coloides sintéticos: na falta de albumina, 10 mL/kg/hora
Correção de hemorragias
Concentrado de hemácias:
- 10 a 15 mL/kg/dia se hemorragia com queda de hematócrito
Plasma fresco congelado:
- 10 mL/kg se coagulopatia
Vitamina K endovenosa:
- Para correção de coagulopatia
Crioprecipitado:
- 1 unidade para cada 5-10 kg se hipofibrinogenemia
Transfusão de plaquetas:
- Apenas em condições específicas: sangramento persistente não controlado após correção dos fatores de coagulação e do choque, com trombocitopenia e INR maior que 1,5 vez o valor normal
Suporte de órgãos
Oxigenoterapia:
- Oferecer O₂ em todas as situações de choque
Drogas inotrópicas:
- Dopamina: 5-10 mcg/kg/min
- Dobutamina: 5-20 mcg/kg/min
- Milrinona: 0,5-0,8 mcg/kg/min
Diálise:
- Se insuficiência renal com anúria, hipercalemia ou acidose refratária
Ventilação mecânica:
- Se insuficiência respiratória com hipoxemia refratária
Monitoramento rigoroso
Pacientes com dengue grave necessitam de monitoramento contínuo:
- Sinais vitais: a cada 15-30 minutos inicialmente
- Pressão arterial média: invasiva se instabilidade
- Diurese: medição horária com cateter vesical
- Hematócrito: a cada 2 horas
- Plaquetas e coagulograma: conforme evolução
- Gasometria: para avaliar acidose
- Balanço hídrico: rigoroso para evitar sobrecarga
Critérios de melhora
A infusão de líquidos deve ser interrompida ou reduzida quando:
- Término do extravasamento plasmático
- Normalização da pressão arterial, pulso e perfusão periférica
- Diminuição do hematócrito na ausência de sangramento
- Diurese normalizada
- Resolução dos sintomas abdominais
Complicações e prognóstico
Complicações potenciais
Síndrome hemofagocítica (SHF): Uma complicação rara mas grave, causada por reação hiperimune e progressiva citopenia. O tratamento recomendado inclui imunomodulação (corticoide, imunoglobulina, imunoquimioterapia) e plasmaférese.
Síndrome de disfunção múltipla de órgãos (SDMO): Falência progressiva de múltiplos sistemas que pode levar ao óbito.
Coagulação intravascular disseminada (CIVD): Consumo de fatores de coagulação levando a sangramentos graves.
Sequelas neurológicas: Quando há comprometimento do sistema nervoso central.
Fatores de mau prognóstico
- Choque prolongado refratário
- Sangramento maciço com instabilidade hemodinâmica
- Acidose metabólica severa (pH menor que 7,1)
- Disfunção de múltiplos órgãos
- Idade extrema (menores de 1 ano, maiores de 65 anos)
- Comorbidades descompensadas
- Atraso no diagnóstico e tratamento
Prognóstico
Com tratamento adequado e precoce, a maioria dos pacientes se recupera completamente da dengue hemorrágica. No entanto, os óbitos por dengue são em sua maioria evitáveis, com a adoção de medidas de baixa densidade tecnológica.
A letalidade varia conforme:
- Precocidade do diagnóstico
- Adequação do tratamento inicial
- Disponibilidade de UTI
- Experiência da equipe médica
- Presença de comorbidades
Prevenção da dengue hemorrágica
A prevenção primária através do controle vetorial permanece como a estratégia mais eficaz:
Eliminação de criadouros
O combate ao Aedes aegypti reduz a incidência de todas as formas da doença, incluindo a hemorrágica. Medidas essenciais incluem:
- Eliminar água parada em vasos, pneus, garrafas
- Tampar caixas d’água e cisternas
- Limpar calhas regularmente
- Manter piscinas tratadas
- Armazenar lixo adequadamente
Tecnologia no controle vetorial
Estratégias modernas complementam as ações tradicionais. O programa Techdengue utiliza drones equipados com tecnologia de ponta para mapeamento e tratamento de áreas afetadas pelo Aedes aegypti.
Em municípios que implementaram o programa, foram observadas reduções entre 94% e 99% nos casos de dengue. Na microrregião de Itabira, foram mapeados 2.002 hectares, identificados 2.950 pontos de interesse, e 2.360 casos foram solucionados ou tratados pelo programa.
Esta abordagem baseada em dados melhora a eficácia das medidas de prevenção e controle, oferecendo uma camada adicional de proteção para as comunidades. Conheça mais sobre esta solução inovadora em techdengue.com.
Vacinação
A vacina contra dengue, disponível no Sistema Único de Saúde desde fevereiro de 2024, representa uma ferramenta adicional na prevenção, embora não substitua as medidas de controle vetorial.
Educação em saúde
A população deve ser orientada sobre:
- Reconhecimento de sinais de alarme
- Importância do retorno para reavaliação
- Quando procurar atendimento urgente
- Hidratação adequada durante a doença
- Medicamentos permitidos e contraindicados
Quando procurar atendimento médico urgente
A presença de qualquer uma destas manifestações exige avaliação médica imediata:
- Dor abdominal intensa e contínua
- Vômitos persistentes que impedem hidratação
- Sangramento de nariz, gengiva ou menstruação volumosa
- Sangue no vômito ou nas fezes
- Tontura intensa ao levantar
- Desmaio ou sensação de desmaio
- Sonolência excessiva ou confusão mental
- Extremidades frias e suadas
- Diminuição acentuada da quantidade de urina
- Dificuldade para respirar
- Palidez intensa
Não espere para ver se melhora. Na dengue hemorrágica, cada minuto conta.
Perguntas frequentes sobre dengue hemorrágica
A dengue hemorrágica é mais comum na primeira ou na segunda infecção?
A dengue grave ocorre com maior frequência em infecções secundárias por sorotipos diferentes. A infecção secundária por outro sorotipo pode resultar em complicações sérias, incluindo a dengue hemorrágica.
Todo mundo que tem dengue desenvolve a forma hemorrágica?
Não. A maioria dos pacientes com dengue apresenta a forma clássica e se recupera completamente. Apenas uma pequena porcentagem evolui para dengue grave. No entanto, o reconhecimento precoce dos sinais de alarme e o tratamento adequado podem prevenir essa evolução.
Plaquetas muito baixas sempre significam dengue hemorrágica?
Não necessariamente. A trombocitopenia isolada não define dengue hemorrágica. O diagnóstico se baseia na presença de sangramento grave, extravasamento plasmático severo ou disfunção de órgãos, não apenas na contagem de plaquetas.
Quanto tempo dura a fase crítica da dengue hemorrágica?
O período crítico de extravasamento plasmático e risco de choque geralmente dura de 24 a 48 horas. Este é o período que exige monitoramento mais rigoroso.
É possível se recuperar completamente da dengue hemorrágica?
Sim. Com tratamento adequado e oportuno, a maioria dos pacientes se recupera completamente, sem sequelas. A chave é o reconhecimento precoce e o manejo correto.
Quem teve dengue hemorrágica pode ter novamente?
Sim, pois a imunidade é específica para cada sorotipo. Uma pessoa que teve dengue grave por DENV-1 pode contrair infecção pelos sorotipos DENV-2, DENV-3 ou DENV-4, com risco de nova evolução grave.
Considerações finais: vigilância que salva vidas
A dengue hemorrágica representa a forma mais grave da doença, mas é altamente evitável quando há reconhecimento precoce dos sinais de alarme e manejo adequado.
A quase totalidade dos óbitos por dengue é evitável e depende, na maioria das vezes, da qualidade da assistência prestada e organização da rede de serviços de saúde. O conhecimento dos sintomas de dengue hemorrágica por profissionais de saúde e população é fundamental para redução da letalidade.
Profissionais de saúde devem estar capacitados para identificar rapidamente a evolução para formas graves, classificar adequadamente os pacientes e instituir tratamento imediato conforme protocolos do Ministério da Saúde.
Pacientes e familiares devem conhecer os sinais de alarme e procurar atendimento imediato ao primeiro sinal de agravamento, especialmente durante o período crítico da doença.
Gestores públicos devem garantir estrutura adequada com leitos de terapia intensiva, hemoderivados disponíveis e equipes capacitadas para manejo de casos graves.
A combinação entre diagnóstico precoce, tratamento adequado e controle vetorial eficiente – como o desenvolvido pelo programa Techdengue – oferece a abordagem mais completa para reduzir a morbimortalidade por dengue no Brasil.
Cada vida salva através do reconhecimento oportuno dos sintomas de dengue hemorrágica e do manejo correto representa uma vitória da medicina baseada em evidências e do Sistema Único de Saúde brasileiro.