Testes para Dengue, Chikungunya e Zika: Guia Completo de Diagnóstico






Testes para <a href="https://techdengue.com/diferenca-entre-dengue-zika-e-chikungunya-como-identificar-cada-arbovirose/" title="Diferença entre dengue, zika e chikungunya: como identificar cada arbovirose" class="nas-auto-link" rel="noopener">Dengue</a>, Chikungunya e Zika: Guia Completo de Diagnóstico


O diagnóstico preciso das arboviroses dengue, chikungunya e zika é fundamental para o manejo adequado dessas doenças. Este artigo aborda os diversos testes para dengue, chikungunya e zika disponíveis, explicando quando e como cada um deve ser utilizado, suas vantagens, limitações e interpretação dos resultados, com atenção especial para situações como a dor na chikungunya e os riscos para gestantes infectadas pelo vírus zika.

A importância do diagnóstico laboratorial das arboviroses

As arboviroses dengue, chikungunya e zika representam importantes desafios para a saúde pública, especialmente em países tropicais como o Brasil. Estas doenças compartilham características clínicas semelhantes, como febre, dores no corpo e erupções cutâneas, tornando o diagnóstico baseado apenas em sintomas um processo desafiador e frequentemente impreciso.

A confirmação laboratorial através de testes para dengue, chikungunya e zika é crucial por diversas razões:

  • Definição do manejo clínico apropriado – cada doença pode necessitar de abordagens específicas, como nos casos de dor na chikungunya, que frequentemente requer tratamento prolongado
  • Identificação de casos que necessitam monitoramento especial, como gestantes com suspeita de infecção pelo vírus zika
  • Vigilância epidemiológica – permite identificar surtos, monitorar a circulação viral e implementar medidas de controle
  • Prevenção de complicações – o diagnóstico precoce permite intervenções que podem reduzir o risco de evolução para formas graves
  • Diferenciação de outras doenças febris que requerem tratamentos específicos

IMPORTANTE: Apesar da semelhança clínica, as arboviroses dengue, chikungunya e zika possuem particularidades importantes em termos de complicações e prognóstico, tornando o diagnóstico diferencial essencial para o manejo adequado.

Principais tipos de testes diagnósticos

Os testes para dengue, chikungunya e zika podem ser divididos em duas categorias principais: testes que detectam o próprio vírus (ou componentes virais) e testes que detectam a resposta imunológica ao vírus.

Testes para detecção direta do vírus

RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa)

O RT-PCR é considerado o padrão-ouro para o diagnóstico de infecções agudas por arbovírus, pois detecta diretamente o material genético viral.

  • Princípio: Amplificação do RNA viral presente na amostra, permitindo sua detecção mesmo em pequenas quantidades
  • Período ideal para coleta: Primeiros 5-7 dias após o início dos sintomas para dengue e chikungunya; até 14 dias para zika (urina)
  • Amostras utilizadas: Sangue, soro, plasma, urina (especialmente para zika), líquido cefalorraquidiano (em casos neurológicos) e saliva
  • Vantagens: Alta sensibilidade e especificidade, permite identificação do sorotipo (no caso da dengue)
  • Limitações: Custo elevado, necessidade de laboratório especializado, janela diagnóstica limitada

Janela diagnóstica para RT-PCR

Dengue: 0-5 dias após início dos sintomas (sangue/soro)
Chikungunya: 0-7 dias após início dos sintomas (sangue/soro)
Zika: 0-7 dias após início dos sintomas (sangue/soro), 0-14 dias (urina)

Teste de antígeno NS1 (específico para dengue)

O teste NS1 detecta a proteína não estrutural 1 do vírus da dengue, que é secretada durante a fase aguda da infecção.

  • Princípio: Detecção da proteína NS1 circulante no sangue
  • Período ideal para coleta: 1-5 dias após o início dos sintomas
  • Formatos disponíveis: Teste rápido (imunocromatografia) ou ELISA
  • Vantagens: Resultado rápido, facilidade de execução, boa especificidade
  • Limitações: Sensibilidade variável (60-80%), especialmente em infecções secundárias; disponível apenas para dengue

ATENÇÃO: Um resultado negativo no teste NS1 não exclui o diagnóstico de dengue, especialmente em pacientes com infecção secundária (segunda infecção por dengue), quando a sensibilidade do teste pode ser reduzida.

Isolamento viral

O isolamento viral é uma técnica laboratorial que permite a multiplicação do vírus em culturas celulares ou inoculação em mosquitos, seguida de identificação.

  • Princípio: Cultivo do vírus a partir de amostras do paciente
  • Período ideal para coleta: Primeiros 3-5 dias após o início dos sintomas
  • Vantagens: Alta especificidade, permite caracterização detalhada do vírus
  • Limitações: Tempo prolongado para resultado (7-14 dias), técnica complexa disponível apenas em laboratórios de referência

Testes para detecção da resposta imunológica

Sorologia (IgM e IgG)

Os testes sorológicos detectam anticorpos produzidos pelo organismo em resposta à infecção viral.

  • Anticorpos IgM:
    • Aparecem cerca de 4-5 dias após o início dos sintomas
    • Atingem pico em 2-3 semanas
    • Permanecem detectáveis por 2-3 meses
    • Indicam infecção recente ou atual
  • Anticorpos IgG:
    • Aparecem cerca de 7-10 dias após o início dos sintomas
    • Permanecem detectáveis por anos (memória imunológica)
    • Indicam infecção prévia ou fase tardia de infecção atual
  • Métodos disponíveis: ELISA, imunofluorescência, testes rápidos (imunocromatografia)

Cronologia da resposta imunológica e período ideal para testes sorológicos

[Gráfico ilustrando a curva de detecção de IgM e IgG após a infecção por arbovírus, indicando os períodos ideais para cada tipo de teste]

LIMITAÇÃO IMPORTANTE: A reação cruzada entre anticorpos contra diferentes flavivírus (dengue e zika) é um desafio significativo nos testes sorológicos. Pacientes com infecção prévia por dengue podem apresentar resultados falso-positivos para zika e vice-versa, exigindo interpretação cuidadosa e testes confirmatórios.

Teste de neutralização por redução de placas (PRNT)

O PRNT é um teste sorológico mais específico que mede a capacidade dos anticorpos do paciente de neutralizar a infecciosidade viral.

  • Princípio: Avaliação da capacidade neutralizante dos anticorpos presentes no soro do paciente
  • Vantagens: Alta especificidade, reduz significativamente o problema de reações cruzadas
  • Limitações: Técnica complexa, demorada e disponível apenas em laboratórios especializados
  • Aplicação: Utilizado principalmente como teste confirmatório em casos de resultados sorológicos inconclusivos, especialmente em gestantes com suspeita de infecção por zika

Quando e qual teste solicitar para cada arbovirose

A escolha do teste mais adequado para o diagnóstico das arboviroses dengue, chikungunya e zika depende de diversos fatores, incluindo o tempo decorrido desde o início dos sintomas, as manifestações clínicas e as características do paciente.

Teste ideal de acordo com o tempo de doença

Fase aguda (0-7 dias)

  • Dengue: RT-PCR (0-5 dias) ou NS1 (1-5 dias)
  • Chikungunya: RT-PCR (0-7 dias)
  • Zika: RT-PCR em sangue (0-7 dias) ou urina (0-14 dias)

Fase subaguda (7-14 dias)

  • Dengue: Sorologia IgM + NS1
  • Chikungunya: Sorologia IgM ou RT-PCR em casos selecionados
  • Zika: RT-PCR em urina ou sorologia IgM (considerar possíveis reações cruzadas)

Fase convalescente (>14 dias)

  • Dengue: Sorologia IgM e IgG
  • Chikungunya: Sorologia IgM e IgG
  • Zika: Sorologia IgM e IgG, com possível PRNT confirmatório

Recomendações específicas para situações especiais

Diagnóstico em gestantes com suspeita de Zika

A infecção pelo vírus zika durante a gestação representa um risco significativo para o desenvolvimento fetal, podendo causar a Síndrome Congênita do Zika Vírus, que inclui microcefalia e outras malformações. Por isso, o diagnóstico em gestantes merece atenção especial:

  • Prioridade para testes moleculares (RT-PCR) em amostras de sangue e urina, mesmo em casos assintomáticos com exposição epidemiológica
  • Coleta pareada de sorologia (fase aguda e convalescente, com intervalo de 2-3 semanas)
  • Testes confirmatórios (PRNT) em casos de sorologia positiva ou indeterminada
  • Amostragem mais ampla: Além de sangue e urina, pode-se considerar testagem em líquido amniótico em casos selecionados

RECOMENDAÇÃO: Toda gestante com exantema (manchas na pele) ou outros sintomas sugestivos de infecção viral deve ser submetida a testes para dengue, chikungunya e zika, independentemente da área de residência, devido às possíveis complicações fetais associadas principalmente à infecção pelo vírus zika.

Diagnóstico em pacientes com manifestações articulares persistentes

A dor na chikungunya pode persistir por semanas, meses ou até anos após a fase aguda da infecção, caracterizando quadros de artralgia ou artrite crônica pós-chikungunya. O diagnóstico laboratorial nestes casos pode auxiliar no manejo clínico:

  • Sorologia IgM e IgG para confirmação diagnóstica retrospectiva
  • Exclusão de outras causas de artrite (fator reumatoide, anticorpos antinucleares, etc.)
  • Marcadores inflamatórios (PCR, VHS) para monitoramento da atividade inflamatória

Diagnóstico em casos graves ou atípicos de dengue

Em casos de dengue com sinais de alarme ou manifestações graves (como hemorragias, choque ou comprometimento grave de órgãos), a confirmação diagnóstica é prioritária:

  • Combinação de NS1 e RT-PCR para maximizar a sensibilidade diagnóstica na fase aguda
  • Monitoramento laboratorial adicional: hemograma completo, provas de coagulação, função hepática e renal
  • Sorotipagem do vírus (através de RT-PCR) para fins epidemiológicos e avaliação de risco

Interpretação dos resultados de testes

A interpretação adequada dos resultados dos testes para dengue, chikungunya e zika requer conhecimento sobre a sensibilidade, especificidade e limitações de cada método, além da consideração do contexto clínico e epidemiológico.

Possíveis cenários e sua interpretação

Resultado Interpretação Conduta
RT-PCR positivo para qualquer arbovírus Confirmação definitiva de infecção atual Manejo clínico específico para a arbovírus identificada
NS1 positivo para dengue Confirmação de dengue aguda Monitoramento para sinais de alarme, hidratação adequada
IgM positivo para uma única arbovírus Provável infecção recente (últimos 3 meses) Correlacionar com quadro clínico, considerar possíveis reações cruzadas
IgM positivo para múltiplas arbovírus Possível reação cruzada ou coinfecção (mais rara) Testes confirmatórios (PRNT), avaliação clínica detalhada
IgG positivo isoladamente Provável infecção pregressa (memória imunológica) Investigar outras causas para o quadro clínico atual
Todos os testes negativos na fase aguda Não exclui infecção (possível falso-negativo) Repetir testagem após 7-14 dias, manejo sintomático

Desafios na interpretação dos resultados

Reação cruzada entre flavivírus

Um dos principais desafios no diagnóstico sorológico das arboviroses é a reação cruzada entre anticorpos contra diferentes flavivírus, especialmente entre dengue e zika:

  • Anticorpos IgG contra dengue podem reagir positivamente em testes para zika e vice-versa
  • Mesmo anticorpos IgM podem apresentar reatividade cruzada, embora em menor grau
  • O problema é particularmente relevante em áreas onde há cocirculação de múltiplos arbovírus
  • A reação cruzada é mais pronunciada em pessoas com infecções secundárias por dengue

ESTRATÉGIA: Em casos de resultados sorológicos inconclusivos ou com potencial reação cruzada, especialmente em situações críticas como gestantes com suspeita de zika, o teste de neutralização por redução de placas (PRNT) pode ajudar a determinar qual vírus realmente causou a infecção.

Sensibilidade e especificidade variáveis

Os testes diagnósticos possuem diferentes níveis de sensibilidade (capacidade de detectar casos verdadeiros) e especificidade (capacidade de excluir casos falsos):

  • RT-PCR: alta especificidade (>99%), sensibilidade variável dependendo do momento da coleta
  • NS1: especificidade >90%, sensibilidade 60-80% (menor em infecções secundárias)
  • Sorologia IgM: sensibilidade 80-90%, especificidade comprometida por reações cruzadas
  • Testes rápidos: geralmente menor sensibilidade que métodos laboratoriais equivalentes

Testes rápidos: vantagens, limitações e uso adequado

Os testes rápidos (point-of-care) para diagnóstico de arboviroses ganharam popularidade devido à facilidade de uso e rapidez nos resultados, sendo especialmente úteis em contextos de recursos limitados ou situações de emergência.

Tipos de testes rápidos disponíveis

  • Teste rápido NS1 para dengue: Detecta o antígeno NS1 em amostras de sangue, soro ou plasma
  • Testes rápidos de IgM/IgG: Detectam anticorpos contra dengue, chikungunya ou zika
  • Testes combinados: Detectam simultaneamente NS1 e anticorpos (apenas para dengue)
  • Testes múltiplos: Alguns dispositivos permitem a detecção simultânea de anticorpos contra múltiplos arbovírus

Vantagens dos testes rápidos

  • Resultados em 15-30 minutos, permitindo decisões clínicas mais ágeis
  • Facilidade de execução, não requerendo equipamentos complexos ou treinamento especializado
  • Possibilidade de uso em ambientes com infraestrutura limitada (unidades básicas de saúde, áreas remotas)
  • Custo geralmente menor que técnicas laboratoriais convencionais

Limitações dos testes rápidos

  • Sensibilidade geralmente inferior a métodos laboratoriais como ELISA ou RT-PCR
  • Interpretação visual subjetiva em alguns formatos de teste
  • Reações cruzadas em testes sorológicos, especialmente entre dengue e zika
  • Variabilidade de qualidade entre diferentes fabricantes e lotes

IMPORTANTE: Os testes rápidos são ferramentas úteis para triagem e diagnóstico preliminar, mas resultados negativos em pacientes com alta suspeita clínica devem ser confirmados por métodos laboratoriais mais sensíveis, especialmente em situações de maior risco como gestantes com suspeita de zika ou pacientes com sinais de gravidade.

Diagnóstico diferencial entre as arboviroses

O diagnóstico diferencial entre dengue, chikungunya e zika é um desafio clínico devido à sobreposição de sintomas. Os testes para dengue, chikungunya e zika são fundamentais neste processo, mas algumas características clínicas podem auxiliar na suspeita inicial.

Características clínicas distintivas

Característica Dengue Chikungunya Zika
Febre Alta (>38°C), 5-7 dias Alta (>38°C), início súbito Baixa ou ausente
Dores articulares Moderadas Intensas e debilitantes Leves a moderadas
Erupção cutânea Aparece ao final da febre Aparece 2-5 dias após início Precoce, com prurido intenso
Conjuntivite Rara Rara Frequente (50-90%)
Edema de extremidades Raro Raro Frequente
Risco de hemorragia Moderado a alto Baixo Muito baixo
Complicação característica Extravasamento plasmático Dor crônica Complicações neurológicas,
malformações fetais em gestantes

Marcadores laboratoriais gerais que auxiliam no diagnóstico diferencial

Além dos testes para dengue, chikungunya e zika específicos, alguns exames laboratoriais de rotina podem fornecer pistas diagnósticas importantes:

  • Hemograma:
    • Dengue: leucopenia, trombocitopenia (frequentemente <100.000/mm³)
    • Chikungunya: leucopenia leve, trombocitopenia discreta ou ausente
    • Zika: geralmente sem alterações significativas
  • Marcadores inflamatórios:
    • Chikungunya: VHS e PCR frequentemente elevados, especialmente em casos com dor na chikungunya persistente
  • Bioquímica:
    • Dengue: elevação de transaminases mais frequente e pronunciada

Algoritmos de testagem recomendados

Para otimizar o uso dos testes para dengue, chikungunya e zika e aumentar a acurácia diagnóstica, diversos algoritmos de testagem têm sido propostos, considerando o contexto clínico, epidemiológico e os recursos disponíveis.

Algoritmo para pacientes com doença febril aguda

  1. Dia 0-5 após início dos sintomas:
    • Coletar amostra para RT-PCR (preferencial) ou NS1 para dengue
    • Se disponível, solicitar RT-PCR para os três arbovírus simultaneamente
    • Em caso de resultado positivo: confirma o diagnóstico
    • Em caso de resultado negativo: prosseguir investigação
  2. Dia 5-15 após início dos sintomas:
    • Coletar amostra para sorologia IgM (dengue, chikungunya e zika)
    • Para zika, considerar RT-PCR em urina (detectável por mais tempo)
    • Em caso de resultado IgM positivo para um único vírus: provável infecção recente
    • Em caso de reatividade múltipla: considerar testes confirmatórios
  3. Após 15 dias do início dos sintomas:
    • Sorologia IgM e IgG para os três vírus
    • Em casos selecionados (ex: gestantes), considerar PRNT

Algoritmo de testagem para pacientes com doença febril aguda em áreas endêmicas

[Fluxograma ilustrando o algoritmo de testagem recomendado, com base no tempo de doença e nas manifestações clínicas]

Algoritmo específico para gestantes

Devido ao risco de complicações fetais associadas à infecção pelo vírus zika, gestantes com suspeita de infecção por arbovírus requerem uma abordagem diagnóstica diferenciada:

  1. Gestante sintomática:
    • RT-PCR para zika em sangue e urina (independente do tempo de sintomas)
    • RT-PCR ou NS1 para dengue (se <5 dias de sintomas)
    • RT-PCR para chikungunya (se <7 dias de sintomas)
    • Sorologia IgM para os três vírus (se >4 dias de sintomas)
    • Segunda amostra sorológica após 2-3 semanas para verificar soroconversão
    • PRNT em casos de sorologia positiva ou indeterminada para zika
  2. Gestante assintomática com exposição de risco:
    • RT-PCR para zika em urina
    • Sorologia IgM para zika (com repetição a cada trimestre em áreas endêmicas)
    • Ultrassonografia fetal seriada, independente dos resultados laboratoriais

Algoritmo para pacientes com artralgia persistente

Para pacientes com suspeita de dor na chikungunya persistente (artralgia ou artrite pós-chikungunya), o seguinte algoritmo pode ser aplicado:

  1. Sorologia IgM e IgG para chikungunya
  2. Exclusão de outras causas de artrite (fator reumatoide, anticorpos antinucleares, etc.)
  3. Avaliação de marcadores inflamatórios (PCR, VHS)
  4. Em casos atípicos ou refratários, considerar avaliação reumatológica

Disponibilidade e acesso aos testes no Brasil

A disponibilidade dos testes para dengue, chikungunya e zika no Brasil varia conforme o tipo de teste, a região do país e o sistema de saúde (público ou privado).

Testes disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS)

O SUS oferece diagnóstico laboratorial para arboviroses através da rede de Laboratórios Centrais de Saúde Pública (LACENs) e laboratórios de referência:

  • Oferta regular:
    • Sorologia IgM para dengue, chikungunya e zika
    • NS1 para dengue (principalmente em períodos epidêmicos)
    • RT-PCR para os três vírus (com capacidade variável entre estados)
  • Grupos prioritários para testagem:
    • Casos graves ou com sinais de alarme
    • Gestantes sintomáticas
    • Óbitos suspeitos
    • Casos atípicos ou com manifestações neurológicas
    • Amostras para vigilância epidemiológica

ACESSO: Para acessar os testes pelo SUS, o paciente deve procurar uma unidade de saúde, onde o médico avaliará a necessidade de testagem específica. Os casos que atendem aos critérios de vigilância são encaminhados para os LACENs estaduais.

Testes disponíveis na rede privada

Na rede privada, a disponibilidade de testes é geralmente mais ampla, mas com custo variável:

  • Laboratórios clínicos:
    • Sorologia IgM e IgG para os três vírus
    • NS1 para dengue
    • RT-PCR (disponibilidade variável)
  • Testes rápidos:
    • Disponíveis em farmácias (principalmente para dengue)
    • Utilizados em clínicas e hospitais para triagem rápida

Limitações no acesso aos testes

Apesar da disponibilidade teórica, existem desafios práticos no acesso aos testes para dengue, chikungunya e zika:

  • Distribuição desigual da capacidade laboratorial entre regiões do país
  • Sobrecarga dos laboratórios durante surtos epidêmicos
  • Custo elevado de alguns testes na rede privada, especialmente RT-PCR
  • Limitações na disponibilidade de testes confirmatórios como PRNT
  • Dificuldades logísticas no transporte de amostras de áreas remotas

Perspectivas futuras em diagnóstico de arboviroses

O campo de diagnóstico das arboviroses está em constante evolução, com novas tecnologias sendo desenvolvidas para superar as limitações dos métodos atuais.

Inovações em desenvolvimento

  • Testes moleculares rápidos: RT-PCR em formatos simplificados e portáteis, permitindo diagnóstico molecular em ambientes com recursos limitados
  • Testes multiplex: Detecção simultânea de múltiplos arbovírus em uma única reação, economizando tempo e recursos
  • Biossensores: Dispositivos que utilizam princípios bioquímicos para detecção rápida e sensível de antígenos virais ou anticorpos
  • Sorologia avançada: Testes sorológicos com epitopos específicos para reduzir reatividade cruzada
  • Tecnologias baseadas em smartphone: Aplicativos que auxiliam na leitura e interpretação de testes rápidos, reduzindo erros de interpretação

Desafios a serem superados

Apesar dos avanços, persistem desafios significativos no diagnóstico das arboviroses:

  • Desenvolvimento de testes que diferenciem com precisão entre infecções por flavivírus relacionados
  • Redução de custos para ampliar o acesso em áreas de recursos limitados
  • Validação de novos testes em diferentes contextos epidemiológicos
  • Implementação de sistemas de diagnóstico descentralizados mas com garantia de qualidade
  • Integração de dados diagnósticos com sistemas de vigilância epidemiológica

Recomendações práticas para profissionais e pacientes

Para profissionais de saúde

  • Conhecer a epidemiologia local das arboviroses para orientar a suspeita clínica e solicitação de testes
  • Considerar o tempo de evolução dos sintomas na escolha do teste mais adequado
  • Interpretar os resultados no contexto clínico e epidemiológico, reconhecendo as limitações de cada método
  • Priorizar testes moleculares na fase aguda sempre que disponíveis
  • Em casos de dor na chikungunya persistente, o diagnóstico laboratorial retrospectivo pode auxiliar no manejo
  • Para gestantes, adotar abordagem diagnóstica mais abrangente devido aos riscos associados à infecção por zika

Para pacientes

  • Procurar atendimento médico nos primeiros dias de sintomas para maior chance de diagnóstico preciso
  • Informar ao médico sobre viagens recentes para áreas com transmissão ativa de arboviroses
  • Seguir as orientações médicas quanto ao momento ideal para coleta de exames
  • Compreender que um resultado negativo não exclui definitivamente o diagnóstico, especialmente se o teste foi realizado fora do período ideal
  • No caso de gestantes, informar imediatamente ao médico pré-natalista qualquer sintoma sugestivo de arbovirose

LEMBRE-SE: O diagnóstico precoce e preciso das arboviroses dengue, chikungunya e zika permite intervenções adequadas, reduzindo o risco de complicações e orientando medidas de vigilância epidemiológica.

Conclusão: a importância dos testes no manejo das arboviroses

Os testes para dengue, chikungunya e zika representam ferramentas fundamentais no enfrentamento dessas arboviroses, permitindo o diagnóstico diferencial entre doenças com apresentações clínicas semelhantes, mas com potenciais complicações distintas.

A escolha do teste apropriado deve considerar múltiplos fatores, incluindo o tempo de evolução dos sintomas, as características do paciente (como no caso de gestantes com suspeita de zika), a disponibilidade de recursos e o contexto epidemiológico local.

Os métodos diagnósticos atuais apresentam limitações importantes, como a janela diagnóstica restrita dos testes moleculares e a reatividade cruzada nos testes sorológicos. A compreensão dessas limitações é essencial para a interpretação adequada dos resultados e tomada de decisões clínicas informadas.

O diagnóstico laboratorial adequado tem implicações que vão além do manejo individual do paciente, contribuindo para a vigilância epidemiológica, a identificação precoce de surtos, o planejamento de intervenções de saúde pública e a compreensão da dinâmica de transmissão dessas doenças.

Com o avanço contínuo da tecnologia diagnóstica, espera-se que os desafios atuais sejam progressivamente superados, permitindo diagnósticos mais rápidos, precisos e acessíveis, especialmente em situações críticas como a dor crônica na chikungunya e infecções pelo vírus zika em gestantes.

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