A Classificação Internacional de Doenças (CID-10) representa um sistema globalmente reconhecido para classificar e codificar doenças, condições de saúde, lesões e causas de morte. Desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde, o CID A90 é o código específico atribuído à dengue clássica, uma das arboviroses mais prevalentes no Brasil e no mundo.
Compreender a classificação CID-10 da dengue não é importante apenas para profissionais de saúde, mas também para gestores públicos, pesquisadores e até mesmo para pacientes que desejam entender melhor seus diagnósticos e a organização dos dados epidemiológicos.
Em 2024, o Brasil registrou 6,5 milhões de casos prováveis de dengue, evidenciando a magnitude dessa doença infecciosa no país. A correta codificação desses casos através do sistema CID-10 permite o monitoramento epidemiológico preciso, a alocação adequada de recursos e o planejamento de estratégias de saúde pública.
O que é a CID-10?
A Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) é um sistema de classificação desenvolvido e mantido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A décima revisão, conhecida como CID-10, é utilizada globalmente desde 1994 e fornece códigos alfanuméricos para uma vasta gama de condições médicas.
Objetivos da CID-10
O sistema CID-10 foi criado para:
Padronização global: permitir que profissionais de saúde, pesquisadores e gestores de todo o mundo utilizem a mesma linguagem ao documentar e comunicar diagnósticos.
Coleta de dados epidemiológicos: facilitar a análise estatística de doenças, possibilitando identificar tendências, surtos e epidemias.
Gestão em saúde: auxiliar no planejamento de políticas públicas, alocação de recursos e organização de serviços de saúde.
Faturamento e reembolso: servir como base para faturas médicas e relatórios de saúde pública, especialmente em sistemas de saúde que dependem de codificação para reembolso.
Pesquisa científica: possibilitar estudos comparativos entre diferentes populações, regiões e países.
Estrutura da CID-10
A CID-10 organiza as doenças em 22 capítulos, identificados por letras que precedem os códigos numéricos. Cada capítulo agrupa doenças relacionadas por sistema orgânico, etiologia ou características clínicas.
O código CID A90 está localizado no Capítulo I, que abrange as “Doenças infecciosas e parasitárias” (A00-B99). Mais especificamente, pertence ao grupo das “Febres por arbovírus e febres hemorrágicas virais” (A90-A99).
CID A90: dengue clássica
O código CID A90 refere-se especificamente à dengue clássica ou dengue sem complicações, também conhecida como dengue típica. Este código representa a infecção viral causada pelo vírus da dengue, transmitida principalmente pelo mosquito Aedes aegypti, quando não há sinais de alarme ou evolução para formas graves.
Definição técnica do CID A90
Segundo a classificação oficial, o CID A90 corresponde à “Dengue [dengue clássico]”, uma doença febril aguda transmitida por picada de mosquitos Aedes infectados com o vírus da dengue. É autolimitada e caracterizada por febre, mialgia, cefaleia e exantema.
A CID A90 representa a dengue clássica, uma infecção viral causada pelo vírus da dengue e transmitida principalmente pela picada do mosquito Aedes aegypti.
Características da dengue CID A90
A dengue codificada como A90 apresenta as seguintes características:
Ausência de sinais de alarme: o paciente não apresenta dor abdominal intensa, vômitos persistentes, acúmulo de líquidos, sangramento de mucosas, letargia, hepatomegalia significativa ou outros sinais que indiquem evolução para formas graves.
Ausência de complicações graves: não há choque, sangramento maciço ou disfunção grave de órgãos.
Evolução benigna: na maioria dos casos, há uma cura espontânea após sete a dez dias, com recuperação completa do paciente.
Manifestações clínicas típicas: febre alta, cefaleia, mialgia, artralgia, dor retro-orbitária, exantema, podendo haver manifestações hemorrágicas menores como petéquias.
CID A91: dengue hemorrágica
Para compreender melhor o CID A90, é fundamental conhecer também o CID A91, que classifica a dengue hemorrágica ou dengue grave.
O CID A91 classifica a dengue hemorrágica, uma forma mais grave da doença caracterizada por sangramentos espontâneos, choque circulatório e necessidade de internação imediata.
Diferenças entre CID A90 e CID A91
| Aspecto | CID A90 | CID A91 |
|---|---|---|
| Nomenclatura | Dengue clássica | Dengue hemorrágica |
| Gravidade | Leve a moderada | Grave |
| Sinais de alarme | Ausentes | Presentes |
| Choque | Não ocorre | Pode ocorrer |
| Sangramento | Petéquias ou ausente | Hemorragias graves |
| Extravasamento plasmático | Mínimo ou ausente | Severo |
| Local de tratamento | Ambulatorial | Hospitalar/UTI |
| Prognóstico | Excelente | Reservado |
| Necessidade de hidratação | Oral | Venosa |
| Mortalidade | Muito baixa | Significativa se não tratada |
Esta divisão é essencial para identificar o grau de gravidade e determinar a conduta médica adequada, além de permitir a análise epidemiológica correta da distribuição das formas clínicas da dengue.
Localização do CID A90 na estrutura da CID-10
Capítulo I: algumas doenças infecciosas e parasitárias
O CID A90 pertence ao Capítulo I (A00-B99), que engloba todas as doenças infecciosas e parasitárias. Este capítulo inclui:
- Doenças intestinais infecciosas (A00-A09)
- Tuberculose (A15-A19)
- Infecções bacterianas (A30-A49)
- Infecções com modo de transmissão predominantemente sexual (A50-A64)
- Outras doenças bacterianas (A65-A69)
- Infecções causadas por rickettsias (A75-A79)
- Infecções virais do sistema nervoso central (A80-A89)
- Febres por arbovírus e febres hemorrágicas virais (A90-A99)
- Outras doenças infecciosas (B00-B99)
Grupo A90-A99: febres por arbovírus
Dentro do Capítulo I, o código A90 faz parte do grupo específico das “Febres por arbovírus e febres hemorrágicas virais”. Este grupo inclui:
- A90: Dengue [dengue clássico]
- A91: Febre hemorrágica devida ao vírus da dengue
- A92: Outras febres virais transmitidas por mosquitos
- A93: Outras febres virais transmitidas por artrópodes
- A94: Febre viral transmitida por artrópodes, não especificada
- A95: Febre amarela
- A96: Febre hemorrágica por arenavírus
- A98: Outras febres hemorrágicas virais
- A99: Febre hemorrágica viral, não especificada
Esta organização permite que profissionais identifiquem rapidamente doenças relacionadas e compreendam o contexto epidemiológico das arboviroses.
Características do vírus da dengue
Para compreender plenamente o CID A90, é importante conhecer o agente etiológico da doença:
O vírus dengue (DENV)
A dengue é causada pelo vírus da dengue (DENV), pertencente ao gênero Flavivirus da família Flaviviridae. O vírus possui quatro sorotipos distintos:
- DENV-1 (sorotipo 1)
- DENV-2 (sorotipo 2)
- DENV-3 (sorotipo 3)
- DENV-4 (sorotipo 4)
Implicações dos sorotipos
Imunidade sorotipo-específica: a infecção por um sorotipo confere imunidade permanente apenas contra aquele sorotipo específico. Uma pessoa pode contrair dengue até quatro vezes na vida, uma vez por cada sorotipo.
Risco de formas graves: infecções secundárias por sorotipos diferentes da primeira infecção apresentam maior risco de evolução para dengue grave. A infecção secundária por outro sorotipo pode resultar em complicações sérias, incluindo a dengue hemorrágica.
Circulação simultânea: no Brasil, todos os quatro sorotipos já foram identificados, sendo comum a circulação simultânea de múltiplos sorotipos em diferentes regiões.
Transmissão
A transmissão ocorre pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada ao picar uma pessoa doente. O mosquito se torna capaz de transmitir o vírus após 8 a 12 dias de incubação.
Não há transmissão:
- Diretamente de pessoa para pessoa
- Através de água ou alimentos
- Pelo contato com secreções de pessoa infectada
Transmissão vertical: pode ocorrer transmissão da mãe para o feto durante a gestação ou no momento do parto, especialmente quando a infecção materna ocorre próximo ao nascimento.
Diagnóstico e confirmação do CID A90
Critério clínico
A suspeita de dengue (que resultará no código A90 se confirmado sem complicações) baseia-se em:
Critérios epidemiológicos:
- Pessoa que viva em área onde se registram casos de dengue
- Tenha viajado nos últimos 14 dias para área com transmissão de dengue
- Presença de Aedes aegypti na localidade
Critérios clínicos:
- Febre, usualmente entre dois e sete dias
- Duas ou mais das seguintes manifestações:
- Náuseas ou vômitos
- Exantema
- Mialgias (dores musculares)
- Artralgias (dores articulares)
- Cefaleia (dor de cabeça)
- Dor retro-orbitária
- Petéquias ou prova do laço positiva
- Leucopenia (redução de glóbulos brancos)
Confirmação laboratorial
O caso pode ser confirmado através dos seguintes exames:
Fase aguda (até o 5º dia):
- Detecção da proteína NS1: teste rápido reagente
- RT-PCR: detecta o RNA viral
- Isolamento viral: cultivo do vírus (restrito a laboratórios de referência)
Fase convalescente (a partir do 6º dia):
- Sorologia IgM: detecção de anticorpos da fase aguda
- Sorologia IgG: avaliação de resposta imunológica
- Soroconversão: aumento de 4 vezes nos títulos entre fase aguda e convalescente
Confirmação por vínculo epidemiológico
Na impossibilidade de confirmação laboratorial ou em casos com resultados inconclusivos, pode-se confirmar por vínculo epidemiológico com caso confirmado laboratorialmente, considerando a distribuição espacial dos casos.
Importância da codificação correta
A correta atribuição do código CID A90 tem implicações que vão muito além do registro médico individual:
Vigilância epidemiológica
Monitoramento de casos: permite às autoridades sanitárias acompanhar a incidência da dengue em tempo real.
Identificação de surtos: a concentração de códigos A90 em determinada região e período sinaliza possível surto ou epidemia.
Distribuição espacial: mapeia áreas com maior transmissão, orientando ações de controle vetorial.
Sazonalidade: identifica períodos de maior risco, permitindo preparação prévia dos serviços de saúde.
Planejamento em saúde pública
Alocação de recursos: dados sobre quantidade de casos A90 orientam distribuição de insumos, medicamentos e recursos humanos.
Dimensionamento de serviços: ajuda a prever demanda por atendimento ambulatorial e hospitalar.
Campanhas de prevenção: identifica momento e locais prioritários para campanhas educativas.
Controle vetorial: direciona ações de eliminação de criadouros para áreas mais afetadas.
Pesquisa científica
Estudos epidemiológicos: possibilita análises de tendências temporais e espaciais da doença.
Avaliação de intervenções: permite medir impacto de campanhas de vacinação, controle vetorial ou outras estratégias.
Comparações internacionais: facilita estudos comparativos entre diferentes países ou regiões.
Carga de doença: auxilia na estimativa de DALY (anos de vida ajustados por incapacidade) e outros indicadores.
Gestão hospitalar e administrativa
Faturamento SUS: o código CID é utilizado para registros no sistema de informação hospitalar e ambulatorial.
Auditoria médica: permite verificação da adequação dos procedimentos realizados ao diagnóstico.
Indicadores de qualidade: taxa de internação por dengue clássica (A90) pode indicar problemas no atendimento ambulatorial.
Organização de fluxos: orienta criação de protocolos específicos para atendimento de dengue.
Notificação compulsória
A dengue é uma doença de notificação compulsória no Brasil, o que significa que todo caso suspeito ou confirmado deve ser comunicado às autoridades sanitárias.
Responsabilidade de notificação
Quem deve notificar:
- Médicos
- Enfermeiros
- Outros profissionais de saúde que atendam o paciente
- Serviços de saúde públicos e privados
- Laboratórios que realizem diagnóstico
Quando notificar:
- Imediatamente após a suspeita diagnóstica
- Não é necessário aguardar confirmação laboratorial
- A primeira unidade de saúde que atender o paciente é responsável pela notificação
Sistema de notificação
SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação):
- Sistema oficial para registro de doenças de notificação compulsória
- Utiliza ficha específica para dengue
- Exige preenchimento de dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais
- O código CID (A90 ou A91) é registrado durante o encerramento do caso
Fluxo da notificação
- Atendimento inicial: suspeita clínica de dengue
- Notificação: preenchimento da ficha de notificação
- Investigação: vigilância epidemiológica investiga o caso
- Coleta de exames: quando indicado
- Encerramento: classificação final como confirmado ou descartado, com código CID apropriado
Manejo clínico do paciente com CID A90
Embora o foco deste artigo seja a classificação, é importante compreender o manejo básico do paciente diagnosticado com dengue clássica:
Tratamento ambulatorial
Pacientes com CID A90 (dengue sem sinais de alarme) podem ser tratados ambulatorialmente:
Hidratação oral:
- Adultos: 60 mL/kg/dia
- Crianças: até 10 kg = 130 mL/kg/dia; 10-20 kg = 100 mL/kg/dia; >20 kg = 80 mL/kg/dia
- 1/3 com sais de reidratação oral
- 2/3 com líquidos caseiros (água, sucos, chás)
Controle de sintomas:
- Paracetamol ou dipirona para febre e dor
- Repouso durante o período febril
Medicamentos contraindicados:
- Ácido acetilsalicílico (AAS/aspirina)
- Anti-inflamatórios não esteroides (ibuprofeno, nimesulida, diclofenaco)
- Corticosteroides
Acompanhamento
Retorno diário: para reavaliação clínica até 48 horas após queda da febre.
Retorno imediato: se surgirem sinais de alarme a qualquer momento.
Orientações ao paciente:
- Sinais de alarme a observar
- Importância da hidratação
- Quando procurar atendimento urgente
- Eliminação de criadouros do mosquito
Cartão de acompanhamento
Todo paciente deve receber o cartão de acompanhamento da dengue, contendo:
- Data do início dos sintomas
- Sinais de alarme descritos
- Orientações sobre hidratação
- Datas de retorno programadas
- Contatos para emergência
Prevenção: quebrando o ciclo de transmissão
A prevenção primária da dengue – e consequentemente a redução de casos CID A90 – depende fundamentalmente do controle vetorial:
Eliminação de criadouros
O Aedes aegypti deposita seus ovos em água limpa e parada. As principais medidas incluem:
- Caixas d’água: manter sempre tampadas
- Pneus: armazenar em local coberto ou furar para evitar acúmulo de água
- Garrafas e recipientes: virar com boca para baixo ou descartar
- Vasos de plantas: eliminar prato ou colocar areia
- Calhas: limpar regularmente para evitar entupimento
- Piscinas: manter tratadas e cobertas quando não em uso
- Lixo: acondicionar adequadamente em sacos fechados
Proteção individual
- Repelentes: aplicar em áreas expostas da pele
- Telas: instalar em portas e janelas
- Roupas: usar manga longa e calças em áreas de risco
- Mosquiteiros: especialmente para bebês e pessoas acamadas
Tecnologia no controle vetorial
Estratégias inovadoras complementam as ações tradicionais de prevenção. O programa Techdengue utiliza drones equipados com tecnologia de ponta para mapeamento e tratamento de áreas afetadas pelo Aedes aegypti.
Na microrregião de Itabira, a implementação do programa resultou em reduções entre 94% e 99% nos casos de dengue. Foram mapeados 2.002 hectares, identificados 2.950 pontos de interesse, e 2.360 casos foram solucionados ou tratados.
Em Contagem, estudos do programa identificaram que 92% dos focos de criadouros do Aedes aegypti estavam localizados dentro das residências, permitindo ações direcionadas que resultaram em redução significativa nos casos.
Esta abordagem baseada em geointeligência e análise de dados oferece insights estratégicos que orientam a alocação de recursos e planejamento de ações de saúde pública. Conheça mais sobre esta solução inovadora em techdengue.com.
Vacinação
Desde fevereiro de 2024, o Brasil se tornou o primeiro país do mundo a oferecer a vacina contra dengue no Sistema Único de Saúde (SUS):
- Público-alvo inicial: crianças e adolescentes de 10 a 14 anos
- Esquema vacinal: duas doses com intervalo de três meses
- Municípios prioritários: 521 municípios com maior transmissão
- Importante: a vacinação complementa, mas não substitui o controle vetorial
Contexto epidemiológico no Brasil
Dados recentes
O Brasil enfrenta desafios significativos relacionados à dengue:
2024: 6,5 milhões de casos prováveis notificados até novembro, representando um aumento expressivo em relação a anos anteriores.
Óbitos: 4.269 mortes registradas no período, evidenciando a gravidade da situação epidemiológica.
Distribuição regional:
- Sudeste: maior coeficiente de incidência (4.739,8 casos/100 mil habitantes)
- Sul: 3.949,0 casos/100 mil habitantes
- Centro-Oeste: 3.894,1 casos/100 mil habitantes
- Nordeste: 600,1 casos/100 mil habitantes
- Norte: 284,2 casos/100 mil habitantes
Fatores que influenciam a transmissão
Climáticos:
- Temperatura elevada acelera ciclo do mosquito
- Chuvas aumentam disponibilidade de criadouros
- Mudanças climáticas expandem áreas de transmissão
Urbanização:
- Crescimento urbano desordenado
- Deficiência em saneamento básico
- Acúmulo de lixo e recipientes
Comportamentais:
- Armazenamento inadequado de água
- Descarte incorreto de recipientes
- Falta de cuidados com quintais
Mobilidade populacional:
- Viagens disseminam diferentes sorotipos
- Migração introduz vírus em novas áreas
- Eventos de massa facilitam transmissão
Impacto econômico e social
A dengue classificada como CID A90, embora seja a forma menos grave, ainda gera impactos significativos:
Custos diretos
- Consultas médicas e exames laboratoriais
- Medicamentos sintomáticos
- Eventual necessidade de hidratação venosa
- Internações quando há progressão para formas graves
Custos indiretos
- Absenteísmo: dias de trabalho perdidos durante a doença
- Presenteísmo: redução de produtividade durante e após a infecção
- Cuidadores: familiares que deixam suas atividades para cuidar do doente
- Impacto escolar: dias de aula perdidos por estudantes
Impacto na qualidade de vida
Mesmo na forma clássica (A90), a dengue causa:
- Debilidade significativa durante 7-10 dias
- Fadiga prolongada que pode durar semanas
- Impacto emocional e psicológico
- Preocupação com possível evolução grave
CID-11: a próxima geração
É importante mencionar que a CID-11 foi aprovada pela OMS em 2019 e entrará em vigor gradualmente a partir de 2022-2027. Esta nova versão traz atualizações importantes:
Mudanças para dengue
Maior detalhamento: a CID-11 oferece subcategorias mais específicas para diferentes apresentações da dengue.
Codificação pós-coordenada: permite combinar múltiplos códigos para descrever com mais precisão casos complexos.
Integração digital: desenvolvida nativamente para ambientes eletrônicos, facilitando uso em prontuários digitais.
Alinhamento com genética: inclui informações sobre etiologia viral de forma mais estruturada.
Transição
Durante o período de transição, ambos os sistemas (CID-10 e CID-11) coexistirão. Profissionais de saúde devem estar preparados para utilizar ambas as classificações conforme necessário.
Perguntas frequentes sobre CID A90
Qual a diferença entre o código A90 e A91?
O código A90 refere-se à dengue clássica sem complicações, enquanto o A91 classifica a dengue hemorrágica ou dengue grave. O A90 representa casos que podem ser manejados ambulatorialmente, enquanto o A91 exige internação hospitalar.
O código CID muda se o paciente piorar?
Sim. Se um paciente inicialmente classificado com CID A90 evoluir com sinais de alarme ou complicações graves, o código deve ser atualizado para A91 para refletir corretamente a gravidade do caso.
Preciso do código CID para atestado médico?
Sim. O atestado médico deve conter o código CID da doença diagnosticada. No caso de dengue clássica, será A90. Isso comprova o motivo do afastamento de atividades.
O código A90 é aceito para afastamento do trabalho?
Sim. A dengue clássica (A90) justifica afastamento do trabalho durante o período sintomático, geralmente de 7 a 10 dias, podendo se estender conforme a evolução clínica e avaliação médica.
Como sei se meu caso é A90 ou A91?
A classificação é feita pelo médico durante o atendimento, baseada na presença ou ausência de sinais de alarme e complicações. Pacientes sem sinais de alarme são classificados como A90, enquanto aqueles com manifestações graves recebem o código A91.
Posso ter dengue A90 mais de uma vez?
Sim. Como existem quatro sorotipos diferentes do vírus, você pode ter dengue até quatro vezes na vida (uma por cada sorotipo). Cada episódio pode ser classificado como A90 se não houver complicações.
O código CID influencia no tratamento?
O código reflete o diagnóstico e a gravidade, que por sua vez determinam o tratamento. Casos A90 são tratados ambulatorialmente com hidratação oral, enquanto casos A91 exigem internação e hidratação venosa.
Considerações finais: a importância da padronização
A Classificação Internacional de Doenças, especificamente o código CID A90 para dengue clássica, representa muito mais que uma simples codificação administrativa. É uma ferramenta fundamental que:
Padroniza a comunicação entre profissionais de saúde em âmbito global, permitindo que diagnósticos sejam compreendidos universalmente independentemente do idioma ou país.
Permite vigilância epidemiológica precisa, essencial para identificação de surtos, monitoramento de tendências e avaliação de impacto de intervenções de saúde pública.
Orienta políticas públicas através de dados confiáveis sobre incidência, prevalência e distribuição da doença, facilitando a alocação racional de recursos.
Facilita a pesquisa científica ao possibilitar estudos comparativos entre diferentes populações e períodos, contribuindo para o avanço do conhecimento sobre a doença.
Organiza os serviços de saúde permitindo dimensionamento adequado de recursos humanos, materiais e estrutura física necessários para atendimento.
Para profissionais de saúde, o correto uso do código CID A90 é uma responsabilidade técnica e ética. Para gestores, representa uma ferramenta gerencial indispensável. Para pesquisadores, constitui a base de dados epidemiológicos confiáveis.
A redução efetiva dos casos classificados como CID A90 depende de abordagem integrada que combine manejo clínico adequado, controle vetorial eficiente e educação em saúde. Estratégias inovadoras como as desenvolvidas pelo programa Techdengue, que utiliza tecnologia de drones e geointeligência, representam o futuro do enfrentamento das arboviroses.
Cada caso de dengue clássica (A90) prevenido através da eliminação de criadouros, cada diagnóstico correto que permite tratamento adequado, e cada notificação oportuna que orienta ações de saúde pública, representa um passo importante na luta contra esta doença que afeta milhões de brasileiros anualmente.
O conhecimento sobre a classificação CID-10 da dengue vai além da técnica médica – representa o compromisso com a saúde coletiva, a ciência baseada em evidências e a organização eficiente dos sistemas de saúde em benefício de toda a população.

